segunda-feira, 18 de junho de 2018

Entrevista com o POETA CÉSAR WILLIAM DAVID

César William David nasceu  em São Luís em 1967. Estreou na literatura em 1988 com o livro de poemas "O errante". Ao longo de sua trajetória como escritor, participou de várias antologias poéticas. É professor, autor de ensaios, crônicas, contos... Já atuou como radialista e escreveu para vários jornais de grande circulação no Estado.

César Wlliam David, professor e poeta. Como surgiu o ser poeta?
A poesia me vem das coisas desencontradas que se encontram em mim, de uma solidão antiga que me fez amadurecer mais rápido que as crianças da minha época. Cresci presenciando o filosofar do meu pai, pedreiro, homem simples, mas de grande sabedoria, um ambientalista, ativista sem se dar conta do que é e do que fez em mim. Quanto aos livros, desde cedo fui cercado pelos grandes clássicos da Literatura estrangeira, nacional e maranhense. Tive a sorte de ter uma madrinha que adorava leitura, artes, cultura, Aricéia Moreira Lima.

Professor, fale-nos de sua experiência com a literatura e dos poetas que contribuíram para o seu amadurecimento como escritor.
É uma experiência de sofrimento, de alegria e de  mistério, porque não posso me desassociar do ato de escrever, mas geralmente finjo para mim mesmo que me contento com o banal. Foram os geniais Fernando  Pessoa, Drummond, Florbela Espanca, Nauro Machado, Ferreira Gullar, Walt  Whitman, Emily Dickinson, Neruda, Mário de Sá Carneiro, Bandeira Tribuzzi, José Chagas, Salgado Maranhão, Paulo Leminski, Dostoievski... que me avessaram. Faço questão de misturar os maranhenses com os estrangeiros, pois quando os leio abasteço-me de uma vitamina que me atira para as laudas, aí, percorro trilhas e trilhas, perquirindo veredas mil.

Além de livros de poesias você já publicou livros voltados ao ensino do conteúdo da disciplina de Língua Portuguesa e de apoio ao professor. Quando sai uma nova publicação?
Estou em uma fase boa. Não me preocupo com publicações, mas em breve, ainda este ano publicarei. Como disse Manoel de Barros, "ser poeta é voar fora da asa". É isso que faço. Hoje opto por poemas mais sintéticos, busco apresentar uma sofisticação em que a logopeia e a fanopeia se desmancham em um armazenamento de ecos e cores, valendo-me do cotidiano, no assombro do que vejo nas pessoas ou nas coisas ou no sossego da esperança.
Escrever poemas para mim é um exercício que já não é só uma questão de "treino", mas de meio, um meio para eu chegar ao meu inteiro.

Gonçalves Dias Sousândrade e outros poetas geniais deram à São Luís o status de Atenas Brasileira. São Luís ainda é a Atenas Brasileira?
São Luís é uma mina de poetas. Isso não acabará nunca, porque a poesia que inunda nossos poetas é um ente que sempre está pedindo morada. Quanto ao título, é preciso que haja organização em torno do fazer literário. Somente organizados poderemos continuar com a tradição.

Há 30 anos a internet não tinha o poder que tem hoje com suas redes e ambientes virtuais onde qualquer pessoa pode se fazer escritor nas horas vagas e ter contato com a escrita de outros milhares de escritores iniciantes. Como você ver isto?
Há barrismos, igrejinhas e muita confusão entre a verdadeira literatura e a literaturice que banaliza o ato de escrever, porque muitos ficam entre o fútil e o fácil.

O FEMA é um grupo criado em janeiro deste ano, o mesmo objetiva reunir escritores iniciantes de todo o Maranhão para discutir a literatura maranhense e incentivar a escrita em todas as suas modalidades. Estar surgindo uma nova geração de escritores aí?
Uma nova geração de escritores, não, um novo movimento que pode fazer com que novas e velhas gerações venham interagir. Pode ser que nomes sejam revelados, como o meu.

Por último, que conselho você daria aos escritores iniciantes que almejam evoluir e tornar-se escritores maduros?
Leitura, leitura, leitura, leitura, vorazmente leitura. LEITURA DOS BONS.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

CRÍTICA PSICANALÍTICA SOBRE A OBRA O ALIENISTA, DE MACHADO DE ASSIS


A crítica psicanalítica procurou estudar dentro da literatura, através do víeis de Lacan e Freud, a subjetividade do ser colocando a questão do ler, escrever e falar, e, assim, estudar a teoria do inconsciente por meio dos símbolos que o representam a fim de se entender a fantasia e o desejo dentro das obras literárias.
Além disso, criaram conceitos de significado e de imagem (fazendo alusão à teoria estruturalista de Ferdinand Saussure) para demonstrar como é definida a realidade em volta da sociedade ou em torno de um indivíduo. O conceito e a imagem estariam num jogo de significados em que o primeiro seria a representação da realidade pelas diferenças, enquanto o segundo sinaliza a realidade por “diferenças de outras palavras”. Começa-se a tornar o inconsciente como objeto oculto no texto: “o inconsciente é estruturado como uma linguagem”. Adotam, então, o caminho da metáfora e da metonímia para partir de uma ordem simbólica até a compreensão: a metáfora, segundo Lacan, como uma substituição de significados; e a metonímia, como um processo de substituição do real pelo imaginário que pode até torna-se coletivo (relações inconscientes com o inconsciente coletivo).
Deste modo, percebe-se que o livro O alienista, de Machado de Assis, possui uma forte influência da psicanálise, uma vez que o autor tenta desvendar o “mundo interior” de cada personagem (principalmente o principal, Simão Bacamarte) a fim de revelar as aparências do “eu” que está submetido à vida social. Trata-se de certas relações: entre o parecer e o ser, a máscara e o desejo, o mundo obscuro da vida interior, corroborando na aparência do inconsciente.
Como em todos os contos de Machado, nos quais apresenta apenas um conflito, é trabalhado em O alienista um tópico singular: as fronteiras entre a razão e a loucura que são trabalhadas com relação ao poder, usado pelo Simão Bacamarte de acordo com seu interesse e pelo qual iria analisar as aparências do inconsciente de cada habitante de Itaguaí. Liga-se a esse aspecto o poder interpretativo do alienista que utilizou para chegar à conclusão do grau de loucura das pessoas e subdividindo-as em classes. Isso acontece em dois momentos da história primeiro quando ele afirma no começo do conto: “[...] demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia, e só insânia”. Com essa definição, Bacamarte chegou a dividir os “loucos” da Casa de Orates (casa de loucos) em “furiosos e mansos; daí passou às subclasses, monomanias, delírios, alucinações diversas”. No final da história chega a um conceito totalmente inverso: “[...] se devia admitir como normal e exemplar o desequilíbrio das faculdades, e como hipóteses patológicas todos os casos em que aquele desequilíbrio fosse ininterrupto”:
Assim, a loucura descrita por Simão Bacamarte seria o “tronco de todas as outras identificações”. Partiria de um simbolismo poético em que a imagem desse termo surgiria de uma projeção que o alienista faria das outras personagens através, segundo ele, de explicações científicas aceitáveis e lógicas. Entretanto, acaba dando definições errôneas, em certo ponto, e projetando sua alienação aos outros. Freud explica bem isso quando fala sobre a racionalização ao firmar que o indivíduo desloca para os outros características próprias com os quais tem certa dificuldade de convívio. Seriam, então, características reprimidas e quando conscientes são projetados ao outro.
Portanto, a loucura tratada por Machado de Assis como patologia é definida por meio do inconsciente. Como dizia Lacan, “o inconsciente é estruturado como a linguagem”. Possui um conceito e uma imagem (significante - ideia) e para Bacamarte loucura não passava de um mero objeto de estudo, visto que via nela uma suposição de intransigência que passava do individual para o social. Ocorria o que Freud chamava de deslocamento, mecanismo de defesa pelo qual afastava a expressão do Id de uma pessoa com certa característica perigosa (no caso, a loucura) para alguém que não a possua.
Michel Foucault falava que “[...] a loucura não diz respeito à verdade do mundo, mas ao homem e à verdade que ele distingue de si mesmo”. É o que se aplica a esse personagem: torna-se um ícone que dissimula os anseios do indivíduo.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

O contemporâneo na literatura brasileira

Pode-se afirmar que o que se pode debater sobre a contemporaneidade é em relação aos novos modos de se fazer cultura, manifestações artísticas, tipos de linguagens e expressões literárias. As formas presentes na atualidade são modificações e desenvolvimentos das representações anteriores, ou seja, são novos modos de expor pontos de vistas próprios por meio de novos formatos. Os novos movimentos de arte e cultura dependem das novas formas de pensar e agir da atualidade, formas essas que são modos de recepção diferentes de outrora. Essas diferenças de recepção e atuação artísticas são discutidas com relação singular ao próprio tempo. Modificam-se a natureza, etapas e limites do conhecimento humano devido às mudanças no olhar do indivíduo, na crítica cultural.
O que se fala sobre esse aspecto de convergência é mais sobre narrações de experiência subjetivas como possibilidade de mudança dentro do aspecto das artes e como essas artes podem chegar ao consumidor havendo um mercado diferente de anos anteriores – mais uma vez fala-se sobre o tempo – e, logo, este mercado constitui “novos processos de transmissão do saber ou de possibilidade de entretenimento”. A produção do mercado nos traz coisas novas e isto nos propõe novas formas de pensar e ver a sociedade que se modifica com o passar do tempo.
Logo, o que podemos verificar com tudo isso é o fato de que um enorme fluxo de pensamentos nos permite acelerar a ruptura entre fronteiras de conteúdo: o novo e o antigo. Nos dias atuais, a mídia contribui para este processo acontecer de forma mais provisória, mais permanente, pois há influência na distribuição de pensamento, nos modos de manifestação artísticas.
Podemos ver que o ser contemporâneo se desmistifica, reconstrói-se com o passar do tempo e com o debate ideológico. O que hoje é contemporâneo do passado passa a ser arcaico para o futuro e deixa de ser novo. Esse processo aborda sobre uma singularidade do próprio tempo: uma relação entre elementos temporais que estabelecem um modo de exteriorizar o presente com a finalidade de se chegar ao ápice do pensamento humano e este constitui o novo: é o ver nas trevas o que ninguém consegue ver.
Fica claro que algo se torna contemporâneo por meio de uma relação entre tempo, ideologia e simbolismo que se transformam por meio do surgimento e aperfeiçoamento de novos olhares sobre a arte e a literatura (ou a cultura em geral). Portanto, é notório que o pensamento parte do princípio de uma necessidade de reflexões sobre o conhecimento e o objeto a ser conhecido, ou seja, a noção sobre as coisas tende a se desenvolver e a se modificar com o passar do tempo.
Provavelmente, o que mais se pretende saber é que tipo de conhecimento se daria a determinado objeto ou à determinada imagem em/de determinada época. Tenta-se saber se há mais algum conceito a ser retirado de tal reflexão. E é nesse ponto – nessa perspectiva – que percebemos que definir contemporâneo vai além de uma simples reflexão sobre o conhecimento: é toda uma ruptura – que leva tempo – de conhecimentos interligados com a cultura, a sociedade e o indivíduo.
A literatura brasileira passou por diversos moldes para ter o seu feitio de hoje. Logo, o que se pode ver no processo de construção literária e cultural é um processo que consiste “numa integração progressiva de experiência literária e espiritual, por meio da tensão entre o dado local (que se apresenta como substância da expressão) e os moldes herdados da tradição europeia (que se apresentam como forma da expressão). O início de uma consciência formou um país em que começou a ser possível a se ter modelos e características próprios, principalmente a partir dos anos 1900, em que o pós-romântico passa a dar espaço a uma literatura de cunho mais regional e, com isso, surgem modelos totalmente diferentes.
Durante essa evolução literária, pode-se perceber que, a partir de 1922 com o Modernismo, a cultura e a literatura feita no Brasil passou a ter caráter próprio e as antigas vanguardas europeias foram deixadas de lado, diferente da literatura feita entre os séculos XVII e XIX, quando a literatura estava muito atrelada as tendências que vinham da Europa, principalmente de Portugal.
É deste modo que se consegue abrir espaço para o novo, para o diferente. Na literatura, surgiu algo diferente a ser exposto, algo que fez o a produção literária conseguir um caráter mais próprio, ou seja, a ter um caráter mais nacional e de luta contra tendências de fora e, além disso, de cunho crítico (em vários sentidos). A formação de uma nova sociedade tende a constituição de algo que desmitifica o que pode ser último para uma nova geração.
É nesse sentido que podemos perceber uma literatura mais engajada a descobrir o novo e, deste modo, a nova estrutura literária torna-se mais “avançado”. Além disso, os novos meios de comunicação foram surgindo, fato que ajudou na formação de uma nova classe leitora e, consequentemente, em novas classes sociais que foram tento características próprias em sua cultura.
Entende-se que em toda a história de formação do ‘Brasil enquanto nação foi possível averiguar uma forte tendência a separação de classes e, por isso, através de revoluções sociais e culturais, o que foi possível surgir um conjunto enorme de produção literária com diferentes aspectos, características, termos, etc. É deste modo que o Brasil foi amadurecendo em diversos sentidos e, logo, foi se tornando uma grande potência em vários sentidos. O país foi se tornando mais contemporâneo em relação outros ao que se vira séculos passados, ou seja, foi se tornando menos arcaico.
As tendências que surgiam aos poucos foram tornando o Brasil um país novo, com sua própria feição: com uma cultura mais nacional. Assim foi em Macunaíma que tentou mostrar “como cada valor aceito na tradição acadêmica e oficial correspondia, na tradição popular, um valor que precisa adquirir estado de literatura”. Assim, definir o que é contemporâneo é algo vago: o que hoje é novo, amanhã não pode ser mais. É desta forma que as coisas mudam ao longo do tempo e, no Brasil, a partir da década de 1960, tentava-se mudar o cenário cultural e literário dentro de um processo autêntico e ideológico para formação de uma nação. Alfredo Bosi afirma que “o melhor da literatura feita nos anos de regime militar bateria, portanto, a rota da contra-ideologia, que arma o indivíduo em face do Estado autoritário e da mídia mentirosa”.
 Foi um momento em que se tentou procurar meios para que se elaborassem soluções através das quais se conseguisse reformas no modelo socioeconômico do país e, através desse modelo, permitisse a construção de um país sem impasses para o fim da desigualdade. É por meio desse ponto que se pode começar a falar sobre um novo molde social que inicia um tipo de avanço cultural devido aos questionamentos feitos ao que já estava imposto ao nosso modo de pensar e receber/dar as coisas. Com esse tipo de empecilho no Brasil, podemos averiguar que havia uma necessidade de extrema mudança no cenário vivido nessa época.  Esse cenário permitiu que a cultura se direcionasse ao mercado, já que a sociedade de esquerda aumentou devido à massificação de movimentos culturais que possuíam uma formação de discurso e movimento. É nesse sentido que podemos falar que o processo cultural brasileiro no século XX – época em que o Brasil começava a ter um cárter mais nacional em sua cultura e literatura – começou a se transformar e desdobrar a outro nível estético que, embora tivesse passado por uma censura a partir de 1964 com a promulgação do A.I.5, levou o país a ter perspectivas culturais e artísticas mais ligadas ao cenário nacional.
Qualquer tipo de produção era censurado no Brasil com o início do A.I.5. Por exemplo, a novela Roque santeiro foi feita em 1975 e publicada em 1985; o romance de Ignácio Loyola Zero foi publicado originalmente na Itália; o Poema Sujo, de Ferreira Gullar, foi publicado no Brasil primeiramente em uma gravação feita por Vinícius de Moraes. Pode-se verificar que o ponto crucial de mudança na literatura brasileira foi com o Modernismo na Semana de 22 e, a partir daí, nota-se uma grande evolução na criação cultural do país.  O Brasil passou por um novo processo de identidade na literatura que foi se intensificando e se modificando até chegar à década de 1960 em que houve mudanças mais fortes na cultura em geral em busca de força para questão de ordem em termos sociais, econômicos e políticos que se mostraram nas artes.  
O que se pode ver nesse sentindo são fortes mudanças artísticas que crescem nas obras literárias, diferentes para cada autor. Em Macunaíma, de Mário de Andrade, pode-se perceber que é forte uma descrição de identidade nacional e nesta obra são desenvolvidos “estereótipos desenvolvidos na sátira popular, atitudes em face do europeu”. Percebe-se uma forte ligação entre o ano em que o livro é publicado (1928) e o ano em que é lançado o filme (1969) por Joaquim Pedro de Andrade: a questão central é basicamente a mesma – a identidade do Brasil nas artes. Desde os pré-modernistas mais fortes, como Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Jorge Amado, podemos perceber essa questão de identidade na literatura, fato que se intensificou em uma tentativa de mostrar todo o potencial literário nacional, no entanto foi uma tentativa parada durante a ditadura militar, principalmente entre 1964 e 1974 em que houve forte censura, opressão e exílio.
Esses pontos podem nos ajudar a definir o que seria ser contemporâneo. Em 1968, com tamanha censura política no Brasil, começou-se a ter insatisfações que fizeram a sociedade agir de outro modo, não permitindo represália do governo. Assim, ser contemporâneo é analisar e compreender seu tempo atual para se distanciar criticamente do atraso presente e, deste modo, os aspectos os valores humanos evoluíam dentro do que é artístico e fora dele.

domingo, 27 de maio de 2018

Resenha do livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell



Quando se discute literatura, principalmente relacionada à sociedade, nota-se que uma relação entre a obra e seu condicionamento social, ou seja, um vínculo entre a obra e o ambiente, pois vê-se que há um grande valor e significado na obra ao mostrar-se aspectos da realidade. Neste sentido, texto e contexto são elementos essenciais para compreender-se o sentido que a obra quer passar por meio de sua estética literária, fato que Antônio Cândido questionou ao tentar saber até que ponto a arte poderia expressar representar a sociedade e os problemas sociais.
Percebe-se, assim, que alguns escritores conseguem representar de forma tão exímia os valores da sociedade que os aspectos de identidade de sua época são percebidos mais criticamente. Foi deste modo que Geroge Orwell escreveu seu livro A Revolução dos Bichos em 1945 com o objetivo de fazer uma sátira contra o regime totalitarista soviético, principalmente contra o governo stalinista.
O romance conta a história de um grupo de animais que vivem em uma fazenda, cujo dono é chamado de Sr. Jones. O enredo se desenvolve a partir de uma reunião chefiada por um porco chamado de Napoleão que decidi chefiar uma rebelião contra seu dono devido às condições pelas quais são submetidas - excesso de trabalho para receber condições de vida não muito boas -, e o resultado dessa rebelião é formar um Estado só entre os animais com o objetivo de conseguir uma situação em que haja igualdade entre todos. No entanto, alguns animais – coordenados pelos porcos – começam a colocar-se acima dos outros e por suas vontades como prioridade, em uma relação com aforia “todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que os outros”.
A crítica ferrenha contra a ditatura stalinista é perceptível quando o porco Napoleão – que representaria Stálin - sobe ao poder e começa a tomar atitudes altamente totalitárias e egoístas. A partir daí, George Orwell descreve o contexto sócio-histórico de uma época em que o poder era dado para políticos-ditadores que somente traziam desigualdades em qualquer sistema de poder (capitalista ou socialista).
Nesse sentido, ao criticar a política de sua época, Orwell mostra como os animais da fazenda conseguiram reunir-se para tentar uma reviravolta contra a violência e submissão contra o governo. Entende-se esse fato como uma analogia com a sociedade da época que deveria ser contra as más condições de vida dadas pelo regime totalitarista, fazendo analogia entre Major e Lênin, Bola de Neve e Trotsky e Napoleão a Stálin como modo de criticar o sistema político de dominação que não daria certo.

Exposição do FEMA no Forte de Santo Antônio da Barra





O FEMA – FALE ESCRITOR MARANHENSE - leva ao Forte de Santo Antônio da Barra, de 29 de maio a 05 de junho, a Exposição “Coletânea Poética Sarau do FEMA”, que reúne trabalhos com temática livre, em prosa e verso, de 16 escritores maranhenses.
A capa da Coletânea homenageia o escritor maranhense Nascimento Moraes Filho autor do livro de poesias “AZULEJOS” e faz referência aos azulejos portugueses que estampam, embelezam e encantam as fachadas de casarões na Atenas Brasileira - São Luís.
Na programação em paralelo consta um chá literário e um Sarau logo após o pôr do sol, no sábado dia 02 de junho. O microfone aberto é uma marca do grupo.
Venha caminhar conosco e reviver a Atenas brasileira dos bons tempos!




SERVIÇO:
Exposição Coletânea Poética Sarau do FEMA
Data: 29/05 a 05/06
Local: FORTE SANTO ANTÔNIO DA BARRA
(98) 98450-7102 (Contato - Forte)
Praia D'Areira - São Luís - MA - Brasil.
Horário: Terça a sexta das 10h às 20h; sábado, domingos e feriados das 10h às 19h.

@faleescritormaranhense 
@fortesantoantonioslz 
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TRANSPORTE PÚBLICO:
Os ônibus que entram na península são as linhas:
“Ponta da Areia” e
“Terminal Cohama / Terminal Praia Grande”.
Mas atenção:
eles só entram no trajeto de ida (sentido ponta da areia - São Francisco) logo após sairem do Terminal COHAMA.
Fique ligado!

quinta-feira, 17 de maio de 2018

III ENCONTRO DO FEMA - FALE ESCRITOR MARANHENSE

 

III  SARAU do FEMA.
Está chegando mais um encontro que celebra a nova poesia maranhense!!!
🔝🔝👏👏🔝🔝🔝.
Próximo sábado, 19/05, das 15-17 horas.
NÃO PERCAM!
Vai rolar o I SLAM com dois coletivos poéticos disputando com textos autorais.
Nossa comissão julgadora definida -  Poetas: Ernesto Dias, Keila Rackel e Ricardo Miranda.

...
Teremos ainda:




🚩Escambo de livros. A campanha segue firme. Você leva um bom livro, deposita no cesto e pega outro!
ARA O ESCAMBO DE LIVROS?
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Durante nossos encontros promoveremos em paralelo  a campanha ESCAMBO DE LIVROS.

Simples participar.
Você leva um livro em bom estado, deposita no cesto e pega outro!
Leva um, retira um! Sem intermediário.

Claro que você vai levar o que tem de melhor! Pois é o que você espera encontrar no cesto. Um bom livro.
Mas nada de didáticos, etc. Leve a boa literatura que você dispõe e encontre a boa literatura que você tanto gosta.
ESCAMBO é troca sem envolver espécie. E você ainda pratica o desapego.
Vem com a gente!!!
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🚩Vamos passar as primeiras informações sobre o Vol. 2 de nossa Coletânea  poética (Em primeira mão para quem estiver no Sarau)!!!
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Vem com a gente!
Próximo sábado (19/05) no Centro de Criatividade Odylo Costa Filho, das 15h às 17h.

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Devagar, tijolo a tijolo, degrau a degrau, vamos construindo a nossa história.
O sonho começa a ganhar corpo. O corpo ganhar identidade. A identidade personalidade.
E o melhor dessa história... ainda está por acontecer!
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Vem com a gente!
@faleescritormaranhense.
O seu lugar é aqui!

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Formação da literatura brasileira


Para que houvesse a formação da literatura brasileira como um sistema de “tendências universalistas e particulares” – fato que só veio a ocorrer em meados dos anos 1750 a 1780, com o início da elaboração de uma consciência nacional que só firmou, aproximadamente, em 1836 com o início do Romantismo – era necessário os seguintes temas para que essa formação viesse à tona: o conhecimento da realidade local; a valorização das populações aborígenes (índios); o desejo de contribuir para o progresso do país; e a incorporação aos padrões europeus. E para se tomar a palavra manifestação literária no âmbito brasileiro, necessitava-se da existência de um conjunto de três aspectos - que se relacionavam um com o outro -, além de características internas (como língua, temas e imagens), a fim de organizar uma literatura própria e constituir uma comunicação inter-humana: a existência de produtores literários (escritores); a existência de receptores (leitores); e algum mecanismo transmissor (editoras).
Esse conjunto permitiria que os escritores formassem a continuidade literária, transmitindo padrões que se impõe ao pensamento e ao comportamento individual e social, sem os quais não haveria a possibilidade de uma literatura e ocorreriam a partir das origens do século XVI, com a produção de José de Anchieta, até o século XVIII, com o surgimento das Academias literárias cujo intuído era organizar atividades e debates culturais entre os escritores da época. O maior problema seria averiguar quando e como começou uma continuidade ininterrupta da produção de obras e autores que integrassem a formação literária brasileira por meio de um caráter diferente ao dos europeus.
Além disso, o princípio da colonização no Brasil formou uma atividade literária incentivada pelos jesuítas através da catequese imposta aos “gentios”, como consequência da contrarreforma e totalmente baseada na literatura metropolitana, através da qual se estabeleceu a dominação da língua portuguesa com o objetivo de integrar os índios à sociedade portuguesa colocando o fim à discriminação sobres estes e a diferença com os portugueses, regras impostas pelo Marquês de Pombal em meados do século XVIII e seguidas após a expulsão dos jesuítas da colônia. A princípio, a estrutura das manifestações literárias que ocorriam no Brasil partia da possibilidade de cópia/reflexo dos textos portugueses, principalmente durante os anos de 1580 e 1640, época do domínio espanhol sobre Portugal e em que as estruturas literárias se baseavam no “outro”, ou seja, dava-se entrada à possibilidade de cópia em detrimento aos aspectos de caráter nacional que sofria xenofobia, visto que, mesmo havendo exaltação a terra, faltava um tempero próprio do escritor que ali nascia.
O primeiro texto escrito sobre essas terras era a carta de Pero Vaz de Caminha que exemplificava essa atitude: discorria sobre as diferenças entre o novo mundo (colônia) e o velho mundo (metrópole), a fim de caracterizar esse novo espaço como sendo diferente de tudo que já se tinha visto; descrevia-se sobre os índios que foram considerados esteticamente inocentes, cujo comportamento foi aceitável pelos colonos e cuja cultura estava baseada na oralidade em contrapartida a utilização da escrita pelos colonizadores a qual, como afirmou Montaigne no ensaio Dos Canibais, estava ligada a questão colonial, comercial, religiosa e doutrinária. Ou seja, a situação de dominação era facilitada em virtude do ruído de comunicação entre o emissor (os portugueses) e o receptor (os índios), fato que tornava estes "bárbaros” em torno da razão (ligados à civilização), mas não aos costumes.
A tradição de escrever sobre os índios e sobre a natureza foi ao longo do tempo trabalhada e aperfeiçoada. No entanto, somente em 1836, com o advento do Romantismo, começou-se a trabalhar estes temas com enfoque na visão nacional, partindo da analogia entre o conteúdo (assunto/temas/relações com a sociedade) e a forma (dentro do texto), características que foram aprimoradas pela filosofia racionalista de Descartes, o qual afirmava que deveria conhecer o mundo através da razão, e empirista de Hume, o qual alegava que era necessário conhecer o mundo através da experiência. Esses pensamentos foram, ao longo do tempo, aprimorados na literatura realizada até então e permitiu uma diferença com a literatura portuguesa, uma vez que se passou a escrever com marcas inconfundíveis ao caráter histórico português.
Para Flora Sussekind, a literatura nacional passou por um “processo retilíneo de abrasileiramento”, em que a ideia cronológica da história literária do Brasil passava por uma reta, desvendando, ao longo do tempo, um rompimento abrupto com a tradição europeia; a “revelação” da terra/natureza; e um movimento em direção a um momento ideal de pré-conquista: características que começaram a ser defendidas com os escritores românticos, responsáveis em definir a singularidade da literatura brasileira e diferenciar-se do europeu.
A natureza, como fonte de estética e forma para a escrita durante a formação da literatura brasileira, começou a ser utilizada a partir da chegada dos portugueses ao Brasil. O primeiro texto escrito nestas terras foi a carta de Pero Vaz de Caminha retratando o espaço descoberto de modo direto e mostrando as diferenças entre a colônia e a metrópole. De certa forma, escrevia sob as características básicas do Quinhentismo, em cujo contexto histórico o europeu apenas se preocupava com as conquistas materiais, resultado das Grandes Navegações, e espirituais, consequência da Contrarreforma – atributos da literatura medieval europeia. Ou seja, expandia-se entre fé e comércio uma relação cujo objetivo era apenas a riqueza da metrópole, e a paridade entre fé e natureza, esta vista como uma dádiva de Deus.
Pode-se dizer ainda que, a partir deste momento, formava-se a literatura informativa a qual não é considerada brasileira, mas uma literatura sobre o Brasil para Portugal. E, apesar de se ter apenas a intenção de descrever o território encontrado e comunicá-lo à metrópole – relação entre Caminha e o destinatário da carta, o rei português D. Manuel I -, Caminha apresenta na carta grandes características estéticas e “inventa” um novo espaço, “um outro” (os índios), cuja unidade não estaria completa segundo os parâmetros europeus: um rei, uma fé, uma lei e uma língua, ou seja, há uma unidade formada apenas pelos costumes.
Esta unidade, segundo Silviano Santiago, seria reestruturaria por meio da invasão colonial que começaria um processo progressivo de mestiçagem, cuja abertura seria o único caminho para a descolonização. Fato que se mostrou mais eficaz quando, segundo Montaigne, os colonos começaram a desestruturar a condição própria do índio – a da oralidade – por meio de uma questão meramente política, vinculando a escrita ao posicionamento colonial, comercial, religioso e doutrinário, pois esta ajudava na dominação. Logo, a utilização da natureza na literatura foi se aperfeiçoando durante esse processo sociopolítico ocorrido durante a colonização brasileira. No Barroco, a natureza como elemento literário apareceu por meio de reflexão na poesia filosófica, principalmente pela poesia de Gregório de Matos que disserta sobre a desordem que assola o mundo e o comportamento do homem perante a realidade, e mostrava a natureza partir de termos indígenas e africanos. Nesse tipo de produções barrocas, encontra-se a presença da retórica exuberante, principalmente entre os padres que eram os principais transmissores de conhecimento, já que, nessa época, não havia a editoração de livros a qual era proibido por Portugal que não tinha interesse em educar a população e desenvolver a cultura.
Deste modo, apenas poucos padres, que Para que houvesse a formação da literatura brasileira como um sistema de “tendências universalistas e particulares” – fato que só veio a ocorrer em meados dos anos 1750 a 1780, com o início da elaboração de uma consciência nacional que só firmou, aproximadamente, em 1836 com o início do Romantismo – era necessário os seguintes temas para que essa formação viesse à tona: o conhecimento da realidade local; a valorização das populações aborígenes (índios); o desejo de contribuir para o progresso do país; e a incorporação aos padrões europeus. E para se tomar a palavra manifestação literária no âmbito brasileiro, necessitava-se da existência de um conjunto de três aspectos - que se relacionavam um com o outro -, além de características internas (como língua, temas e imagens), a fim de organizar uma literatura própria e constituir uma comunicação inter-humana: a existência de produtores literários (escritores); a existência de receptores (leitores); e algum mecanismo transmissor (editoras).

Esse conjunto permitiria que os escritores formassem a continuidade literária, transmitindo padrões que se impõe ao pensamento e ao comportamento individual e social, sem os quais não haveria a possibilidade de uma literatura e ocorreriam a partir das origens do século XVI, com a produção de José de Anchieta, até o século XVIII, com o surgimento das Academias literárias cujo intuído era organizar atividades e debates culturais entre os escritores da época. O maior problema seria averiguar quando e como começou uma continuidade ininterrupta da produção de obras e autores que integrassem a formação literária brasileira por meio de um caráter diferente ao dos europeus.
Além disso, o princípio da colonização no Brasil formou uma atividade literária incentivada pelos jesuítas através da catequese imposta aos “gentios”, como consequência da contrarreforma e totalmente baseada na literatura metropolitana, através da qual se estabeleceu a dominação da língua portuguesa com o objetivo de integrar os índios à sociedade portuguesa colocando o fim à discriminação sobres estes e a diferença com os portugueses, regras impostas pelo Marquês de Pombal em meados do século XVIII e seguidas após a expulsão dos jesuítas da colônia. A princípio, a estrutura das manifestações literárias que ocorriam no Brasil partia da possibilidade de cópia/reflexo dos textos portugueses, principalmente durante os anos de 1580 e 1640, época do domínio espanhol sobre Portugal e em que as estruturas literárias se baseavam no “outro”, ou seja, dava-se entrada à possibilidade de cópia em detrimento aos aspectos de caráter nacional que sofria xenofobia, visto que, mesmo havendo exaltação a terra, faltava um tempero próprio do escritor que ali nascia.
O primeiro texto escrito sobre essas terras era a carta de Pero Vaz de Caminha que exemplificava essa atitude: discorria sobre as diferenças entre o novo mundo (colônia) e o velho mundo (metrópole), a fim de caracterizar esse novo espaço como sendo diferente de tudo que já se tinha visto; descrevia-se sobre os índios que foram considerados esteticamente inocentes, cujo comportamento foi aceitável pelos colonos e cuja cultura estava baseada na oralidade em contrapartida a utilização da escrita pelos colonizadores a qual, como afirmou Montaigne no ensaio Dos Canibais, estava ligada a questão colonial, comercial, religiosa e doutrinária. Ou seja, a situação de dominação era facilitada em virtude do ruído de comunicação entre o emissor (os portugueses) e o receptor (os índios), fato que tornava estes "bárbaros” em torno da razão (ligados à civilização), mas não aos costumes.
A tradição de escrever sobre os índios e sobre a natureza foi ao longo do tempo trabalhada e aperfeiçoada. No entanto, somente em 1836, com o advento do Romantismo, começou-se a trabalhar estes temas com enfoque na visão nacional, partindo da analogia entre o conteúdo (assunto/temas/relações com a sociedade) e a forma (dentro do texto), características que foram aprimoradas pela filosofia racionalista de Descartes, o qual afirmava que deveria conhecer o mundo através da razão, e empirista de Hume, o qual alegava que era necessário conhecer o mundo através da experiência. Esses pensamentos foram, ao longo do tempo, aprimorados na literatura realizada até então e permitiu uma diferença com a literatura portuguesa, uma vez que se passou a escrever com marcas inconfundíveis ao caráter histórico português.
Para Flora Sussekind, a literatura nacional passou por um “processo retilíneo de abrasileiramento”, em que a ideia cronológica da história literária do Brasil passava por uma reta, desvendando, ao longo do tempo, um rompimento abrupto com a tradição europeia; a “revelação” da terra/natureza; e um movimento em direção a um momento ideal de pré-conquista: características que começaram a ser defendidas com os escritores românticos, responsáveis em definir a singularidade da literatura brasileira e diferenciar-se do europeu.
A natureza, como fonte de estética e forma para a escrita durante a formação da literatura brasileira, começou a ser utilizada a partir da chegada dos portugueses ao Brasil. O primeiro texto escrito nestas terras foi a carta de Pero Vaz de Caminha retratando o espaço descoberto de modo direto e mostrando as diferenças entre a colônia e a metrópole. De certa forma, escrevia sob as características básicas do Quinhentismo, em cujo contexto histórico o europeu apenas se preocupava com as conquistas materiais, resultado das Grandes Navegações, e espirituais, consequência da Contrarreforma – atributos da literatura medieval europeia. Ou seja, expandia-se entre fé e comércio uma relação cujo objetivo era apenas a riqueza da metrópole, e a paridade entre fé e natureza, esta vista como uma dádiva de Deus.
Pode-se dizer ainda que, a partir deste momento, formava-se a literatura informativa a qual não é considerada brasileira, mas uma literatura sobre o Brasil para Portugal. E, apesar de se ter apenas a intenção de descrever o território encontrado e comunicá-lo à metrópole – relação entre Caminha e o destinatário da carta, o rei português D. Manuel I -, Caminha apresenta na carta grandes características estéticas e “inventa” um novo espaço, “um outro” (os índios), cuja unidade não estaria completa segundo os parâmetros europeus: um rei, uma fé, uma lei e uma língua, ou seja, há uma unidade formada apenas pelos costumes.
Esta unidade, segundo Silviano Santiago, seria reestruturaria por meio da invasão colonial que começaria um processo progressivo de mestiçagem, cuja abertura seria o único caminho para a descolonização. Fato que se mostrou mais eficaz quando, segundo Montaigne, os colonos começaram a desestruturar a condição própria do índio – a da oralidade – por meio de uma questão meramente política, vinculando a escrita ao posicionamento colonial, comercial, religioso e doutrinário, pois esta ajudava na dominação. Logo, a utilização da natureza na literatura foi se aperfeiçoando durante esse processo sociopolítico ocorrido durante a colonização brasileira. No Barroco, a natureza como elemento literário apareceu por meio de reflexão na poesia filosófica, principalmente pela poesia de Gregório de Matos que disserta sobre a desordem que assola o mundo e o comportamento do homem perante a realidade, e mostrava a natureza partir de termos indígenas e africanos. Nesse tipo de produções barrocas, encontra-se a presença da retórica exuberante, principalmente entre os padres que eram os principais transmissores de conhecimento, já que, nessa época, não havia a editoração de livros a qual era proibido por Portugal que não tinha interesse em educar a população e desenvolver a cultura.
Deste modo, apenas poucos padres, que tinham chance de estudar na metrópole ou nasciam em famílias ricas, possuíam a capacidade de repassar o que aprendiam principalmente através da catequese aos indígenas. Ou seja, a razão demorou a demonstrar eficiência na literatura brasileira e fortaleceu-se apenas no século XVIII com o surgimento do Iluminismo, determinado pela revolução intelectual, e do Arcadismo e seus valores classicistas formados com a intenção de promover características já utilizadas no Quinhentismo – formação de um Neoquinhentismo­ -, fortalecendo, assim, a idealização da vida campestre (o bucolismo), mostrando a natureza como um ambiente tranquilo e a cidade como um lugar de corrupção e sofrimento (fugere urbem), e a sobrevivência do maneirismo em que é comum a fuga da realidade concreta a fim de se conquistar ordem e paz.
Uma das características principais do Arcadismo brasileiro é o bucolismo, em que há um refúgio à natureza vista como algo ideal para a reflexão filosófica e sentimental do poeta: este estabelecia uma simetria ao buscar um equilíbrio para a vida e uma harmonia para a forma poética com o seu conteúdo, e um culto à beleza e ao ideal de que é belo. Estas particularidades arcádicas mostram uma semelhança a mimeses aristotélica que reproduz a realidade imitando traços da natureza e dos padrões de beleza, típico do período clássico da Antiguidade, e com a ideia do “bom selvagem”, de Jean-Jacques Rousseau que discursava sobre como chegar a utopia da plenitude humana em oposição ao caráter do homem corrompido pela sociedade, dando início ao nativismo no Brasil, muito comum também durante a era romântica.chance de estudar na metrópole ou nasciam em famílias ricas, possuíam a capacidade de repassar o que aprendiam principalmente através da catequese aos indígenas. Ou seja, a razão demorou a demonstrar eficiência na literatura brasileira e fortaleceu-se apenas no século XVIII com o surgimento do Iluminismo, determinado pela revolução intelectual, e do Arcadismo e seus valores classicistas formados com a intenção de promover características já utilizadas no Quinhentismo – formação de um Neoquinhentismo­ -, fortalecendo, assim, a idealização da vida campestre (o bucolismo), mostrando a natureza como um ambiente tranquilo e a cidade como um lugar de corrupção e sofrimento (fugere urbem), e a sobrevivência do maneirismo em que é comum a fuga da realidade concreta a fim de se conquistar ordem e paz.

Uma das características principais do Arcadismo brasileiro é o bucolismo, em que há um refúgio à natureza vista como algo ideal para a reflexão filosófica e sentimental do poeta: este estabelecia uma simetria ao buscar um equilíbrio para a vida e uma harmonia para a forma poética com o seu conteúdo, e um culto à beleza e ao ideal de que é belo. Estas particularidades arcádicas mostram uma semelhança a mimeses aristotélica que reproduz a realidade imitando traços da natureza e dos padrões de beleza, típico do período clássico da Antiguidade, e com a ideia do “bom selvagem”, de Jean-Jacques Rousseau que discursava sobre como chegar a utopia da plenitude humana em oposição ao caráter do homem corrompido pela sociedade, dando início ao nativismo no Brasil, muito comum também durante a era romântica.