terça-feira, 17 de setembro de 2019

Resenha, Atalhos, de Maria Thereza de Azêvedo Neves

NEVES, Maria Thereza de Azêvedo. Atalhos. São Luís: Lithograf, 2005.

Disponível na Livraria AMEI,
no São Luís Shopping

Maria Thereza de Azevedo Neves representa o que há de melhor na literatura maranhense atual. Com uma escrita bem estruturada e consistente, a escritora consegue descrever cenários por meio de uma narrativa linear e bem simples, mas que consegue atrair atenção do leitor.

Em seu livro Atalhos, Maria Thereza apresenta diversos contos, cada um com uma estrutura similar, mas com diversos temas, cujas diferenças não a impediram de escrever com qualidade do início ao fim do livro. Afinal, não é para menos: a escritora possui uma tradição literária de excelência, pois é neta do escritor Américo Azêvedo, irmão de Aluísio e Arthur Azêvedo.

Seu livro Atalhos é uma “Herança de Deus” (título de um de seus contos) e é exemplo de um exímio livro da literatura maranhense que sempre foi predisposta a ser um berço de escritores de imensa qualidade literária que conseguem ver a vida e o mundo por meio da literatura.
- Coragem, Benedita... Força, que teu filho precisa de teu suor, de tua coragem.
Ah, precisasse ele de seu sangue.
Benedita, cansada e feliz, via seu negrinho crescendo sadio, fazendo papel bonito na escola. (NEVES, 2005, p.30)
E em Atalhos, a escritora conseguiu, de fato, mostrar a nossa vida real mostrando cenários da nossa São Luís, como no bem escrito conto “Em noite de lua nova”.
A Travessia da Pintombeira, no centro de São Luís, curta e essencialmente residencial, é uma ruazinha de casas antigas de ricas e tradicionais famílias maranhense. Com a violência crescendo, um clima de inquietação e medo se estabeleceu, entre as famílias. (NEVES, 2005, p.82)
Atalhos é um livro que vale a pena ser lido por mostrar a proeza de uma bela escrita, desde a extraordinária descrição e construção de seus personagens e cenários, além de os temas terem sido bem trabalhados.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Resenha: O ofício de matar suicidas, de José Ewerton Neto

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José Ewerton Neto é um dos grandes prosadores maranhenses de nossa atualidade. Ele possui uma criação literária que mescla textos muito bem estruturados com uma articulação sensata de ideias, o que torna seu trabalho excelente.
Notamos que a cada geração encontramos escritores que se destacam pelo modo como consegue trabalhar um enredo com cenas bem descritas e demonstrar a natureza humana por meio de seus personagens. É deste modo que José Ewerton Neto constrói seu livro "O ofício de matar suicidas", cujo enredo conta a história de um homem que coloca um anúncio no jornal com o objetivo de ajudar suicidas que não possuem coragem de cometer este ato.

Quando coloquei o anúncio no jornal, sabia que muita gente não iria entender, mas os suicidas sim, e era só isso que me interessava. Dizia assim: "Para os suicidas sem coragem, uma ajuda. Tel. 245-3400". (EWERTO NETO, 2015, p.1) 

A cada capítulo o narrador-personagem mostra cada cliente para qual trabalhou e a cada um demonstra a real natureza do homem que, muita das vezes, se preocupa mais com seu próprio ego e com o imediatismo de um mundo globalizado e capitalista, embora muitos de seus clientes não possuam motivo concreto e aparente para o suicídio. 

Mas, todas as vezes que eu me propunha a isso, após dois ou três dias era acometido de uma sensação de vazio muito maior. (EWERTO NETO, 2015, p.68)
[...] e de meus feitos extraordinários no ramo do mercado de suicidas não foi levada em consideração pela polícia, que se limitou a classificar-me como esquizofrênico, isso em atenção ao fato de haver escorregado em um bom volume de preciosos reais para suas mãos ávidas. (EWERTO NETO, 2015, p.81)  

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Disponível na Livraria AMEI,
no São Luís Shopping

O suspense do livro nos prende por sua leitura boa e fluida que nos permite discutir sobre as diversas concepções acerca do eu interior de seus personagens que vivem em uma sociedade marcada pela ganância. Assim, de história a história e por meio de um suspense muito bem trabalhado, o autor nos leva a querer saber mais o final do livro.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Lista de livros

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Resolvi criar uma lista de livros que li ao longo da minha vida. Não é uma lista em ordem de maior importância; é apenas recomendação. Embora haja 50, há muito mais livros que eu queria recomendar, no entanto vão só esses por enquanto. 

Boa leitura!

1. Antologia poética, de Vinicius de Moraes;
2. Sentimento do mundo, de Carlos Drummond de Andrade;
3. Toda poesia, de Paulo Leminski:
4 . Coleção melhores poemas, de Mauro Machado;
5. Pátria de exílio, de Nauro Machado,
6. A luta corporal, de Ferreira Gullar;
7. Poemas satíricos, de Gregório de Matos;
8. Poética, de Aristóteles;
9. Sonho de uma noite de verão, de William Shakespeare;
10. A relíquia,  de Eça de Queiroz;
11. Carta ao pai, de Franz Kafka;
12. Na colônia penal, de Franz Kafka;
13. Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago;
14. Doze, de Nick McDonell;
15. Precisamos falar sobre Kevin, de Lionel Shriver;
16. As vantagens de ser invisivel; de Stephen Chbosky,
17. A menina que roubava livros, de Markus Zusak;
18. Harry Potter e a pedra filosofal, de J.K. Rowling;
19. Luís, o bem-amado, de Jean Plaidy;
20.O conto da Aia, de Margaret Atwood; 
21. It, a coisa, de Stephen King;
22. O Guarani, de José de Alencar;
23. Dom Casmurro, de Machado de Assis;
24. O Alienista, de Machado de Assis;
25. O Quinze, de Rachel de Queirox;
26. Os Sertões, de Euclides da Cunha;
27. Meninos no poder, de Domingos Pelegrini;
28. Como Se, de Cláudia Chigres;
29. Todo o tempo do mundo, de Maurício Gomyde;
30. Surpreendente, de Maurício Gomyde:
31. Geração Sub Zero, sob organização de Felipe Pena;
32. Nove noites, de Bernardo de Carvalho;
33. A resistência, de Julián Fuks;
34. Janelas Fechadas, de Josué Montello;
35. Úrsula, de Maria Firmina de Reis;
36. O mulato, de Aluísio Azevedo;
37. Mensagem, de Fernanda Pessoa;
38. Sonetos, de Florbela Espanca;
39. Primeiras poesias, de Jorge Luis Borges;
40. Livro do desassossego, de Fernando Pessoa;
41. A revolução dos bichos, de Geroge Orwell;
42. O menino do pijama listrado, de John Boyne;
43. O menino no alto da montanha, de John Boyne;
44. O diário de Anne Frank;
45. Poesias 1902-1917, de Fernando Pessoa;
46. Sonetos, de Luís de Camões;
47. Frankenstein, de Mary Shelley;
48. Tio Vânia, de Tchékhov;
49. Os melhores jovens escritores brasileiro (Revista Granta);
50. Poesia com Rapadura, de Bráulio Bessa.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

13ª Feira do Livro de São Luís

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Guardem a data e o local: a 13ª Feira do Livro de São Luís ocorrerá de 11 a 20 de outubro de 2019, sempre das 10h às 22h, no Multicenter Sebrae - Centro de Convenção Pedro Neiva de Santana.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Resenha: Sully, o herói do Rio Hudson, de Chesley B. "Sully" Sullenberger III com Jefrrey Zaslow


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Neste aclamado livro que virou filme estrelado por Tom Hanks e dirigido por Clint Eastwood, o enredo conta a história do acidente aéreo que ocorreu em 2009, em Nova Iorque. A tripulação de um avião, um Airbus A320 comandado por Chesley "Sully" Sullenberger e Jefrey Zaslow, autores do livro, faz pouso forçado no Rio Hudson após decolar e algumas aves chocarem com as turbinas. A situação tornou os pilotos heróis após terem salvado cerca de 150 passageiros e terem tomado esta decisão a sangue-frio.
Após algum tempo do acidente, Sullenberger decide lançar o livro contando sua visão do ocorrido. No decorrer dos capítulos, Sullenberger conta sua trajetória de vida desde o convívio em família e início de sua formação como piloto até chegar às cenas do acidente, quando já tinha experiência suficiente, o que o auxiliou a fazer essa manobra arriscada, salvando muitas pessoas, além de nos mostrar fotos do arquivo pessoal do autor - mostrando sua infância, seu relacionamento com sua esposa e a formação com piloto - até imagens do acidente, além da homenagem recebida do ex-presidente americano, Barack Obama.

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O livro é riquíssimo em conteúdo, apresentando muito mais detalhes que o filme, apesar de este ter sido muito bem produzido e dirigido. O conteúdo do livro nos passa uma lição de vida ao nos demonstrar a importância de como executar o que nos é designado e como enfrentar as consequência dos nossos atos e escolhas, independentemente se acertamos ou erramos.
"O milagre do Rio Hudson" nos demonstra uma lição de moral a ser seguida: importar-se sempre com o outro e o valor à vida. Sully, o herói do Rio Hudson é um livro bem escrito, cuja leitura se faz necessária para aqueles que tem interesse sobre aviação, mas que nos passa diversas lições.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Resenha: Sentimento do mundo, de Carlos Drummond de Andrade

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ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo. Prefácio de Silviano Santiago.  23ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2007.

A poesia brasileira sempre foi repleta de poetas que souberam escrevê-la e descrevê-la das formas mais belas e sublimes possíveis, independente do tema escolhido, desde o lírico ao social ou existencialista. Desde a sua origem de fato - no século XIX com o Romantismo -, a Literatura Brasileira sofreu diversas mudanças de acordo com o contexto histórico e discursos entre os intelectuais que renovavam cada vez mais o modo de escrever, seja em prosa ou em poesia.
Desde então, vêm surgindo novos personagens de nossa literatura com o dom da escrita, e um deles foi o mineiro de Itabira Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) que iniciou sua carreira ao publicar "Alguma poesia" em 1930, ainda em tom intimista, mas que já dava traços de Drummond ser um excelente poeta. Já em 1934, começa a modificar sua escrita ao publicar "Brejo das Almas", "Sentimento do mundo" em 1940 e "Rosa do povo" em 1945.
Estes últimos livros começamos a perceber um tom mais universalista, de cunho social, além de uma preocupação maior com o mundo, principalmente ao que vinha acontecendo com a humanidade devido às guerras, e a partir daí Drummond, em suas poesias, condena a utilização da agressividade e da destruição para o desenvolvimento econômico.
O livro "Sentimento do mundo" mostra a capacidade e a maturidade poéticas de Drummond que mostra um tom intimista e um pouco pessimista, apesar de apresentar um tom utópico, devido ao mundo em que estava vivendo na década de 1940. Deste modo, nota-se a preocupação com a sociedade:
Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
(p.59)
  
"Sentimento do mundo" é uma obra-prima de nossa literatura por conseguir descrever o seu tempo - que, infelizmente, ainda permanece o mesmo -, tornando-se revolucionário para a criação literária brasileira. É um livro que vale a pena ter na estante

SENTIMENTO DO MUNDO 
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microcopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.


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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Resenha: A hora da estrela, de Clarice Lispector


Em mais um livro, Clarice Lispector consegue mostrar sua brilhante escrita criativa por meio de uma estrutura bem concisa e coerente, com cada cena e personagens bem construídos e descritos em seu último romance, mas que com certeza ficará para a eternidade na literatura brasileira.
Em A hora da estrela, Clarice apresenta um narrador fictício que conta a história da nordestina Macabéa que, orfã e pobre, decide ir morar no Rio de Janeiro tentar uma vida melhor e mais digna. Lá consegue um bom lugar para morar, se emprega como datilógrafa e passa os dias ouvindo a Rádio Relógio. Passa-se um tempo, e Macabeá acaba se apaixonando pelo metalúrgico Olímpio de Jesus que depois a trai com uma colega de trabalho. Devido a enorme decepção, ela vai a uma cartomante que lhe revela um futuro brilhante.
Com uma escrita bem intimista, Clarice Lispector nos apresenta um livro que nos traz uma reflexão sobre nós mesmos, quando desejamos o bem em nossas vidas com questionamentos acerca de como podemos começar as coisas para alcançar nossos objetivos.

Tudo no mundo começou com um sim, Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo já começou.
[…]Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré- pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo o que estou escrevendo. […] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes (LISCPECTOR, 1998, p.11)
Por meio de uma linguagem simples, mas bem definida e com um teor psicológico e intimista, a narrativa de A hora da estrela nos ajuda a compreender sobre os problemas do ser humano como um diálogo sobre nós como forma de proteção. É um livro que vale a pena ser lido.