terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Um Olhar Sobre a História - A Educação na Antiga Roma

Olá suplementistas literários! Hoje daremos sequência a nossa série da História da Educação falando sobre um dos maiores Impérios que a História já viu: o Império Romano.

Antes de iniciarmos as nossas considerações, é preciso lembrar que a história de Roma está dividida em três períodos: a Realeza, a República e o Império. Foi no período Imperial que a educação ganhou mais relevância, houve um incentivo às artes, inúmeras bibliotecas foram criadas e os romanos se apropriaram de inúmeros manuscritos encontrados nas regiões encontradas. O ensino superior também surgiu na época do império com os cursos de Filosofia, Retórica e Direito.

E como era a educação? Bom, a família tinha grande importância na formação da criança romana que até os sete anos permanecia apenas sob os cuidados da mãe e, após esse período, o pai se encarregava pessoalmente da educação do filho e as meninas eram educadas para os trabalhos domésticos. As crianças romanas vivam reclusas no âmbito da vida familiar e, em geral, brutalizadas e submetidas ao duplo regime do medo do pai e da orientação ética da mãe.

A educação era elitista e objetivava formar o sujeito racional, capaz de pensar de modo correto e expressar-se de maneira convincente, dando maior ênfase no estudo da retórica. Os romanos adotavam uma postura mais pragmática, voltada para as atividades cotidianas e para a ação política. Assim como a filosofia, a pedagogia em Roma também estava voltada para questões práticas.

Os plebeus pouco tinham acesso à educação formal e por isso cresciam sem formação, não aprendendo a ler nem a escrever. As filhas dos homens e mulheres abastados também frequentavam a escola, porém tinham direito a um conhecimento mais restrito. Em seu currículo escolar aprendiam lições básicas de cálculo, de leitura e de escrita e frequentavam a escola somente até os doze ou treze anos de idade, quando eram dispensadas e liberadas para os casamentos.

Por enquanto queridos leitores, ficaremos por aqui, pois ainda veremos como a educação romana era dividida em níveis e como ela influencia nos dias atuais. Também veremos alguns importantes intelectuais da época. Até lá!


por Vanessa Elisa

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Resenha de livro: La Lune, de Lorena Silva



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A Literatura Maranhense Contemporânea tem mostrando um conjunto de grandes e jovens escritores que desde muito cedo alcançam a excelência na arte escrever, sobressaindo-se na criatividade na criação literária. Ludovicense, Lorena Silva - membra da Associação maranhense de Escritores Independentes (AMEI) - se sobressaiu ao lançar seu primeiro romance "La Lune", publicado há pouco tempo de forma independente.


A escrita começou em 2014 quando lançou a primeira edição pela editora Multifoco. Desde então, tem-se dedicado à produção de textos para publicar na plataforma Wattpad, muito útil para muitos escritores que pretendem começar a carreira de escritor. 

O romance "La Lune" conta a história da personagem Seraphine, cuja vida sempre foi uma indecisão. O enredo se iniciar ao contar a vida da protagonista que foi parar em orfanato cuja proprietária sempre a tratou como filha. Após chegar a uma idade avançada e complicada para ser adotada, Adrian - dono do clube La Lune na cidade de Downville - se torna guardião de Seraphine que, algum tempo depois, começa a trabalhar para ele como dançarina no clube. Bonita e talentosa, percebe-se que começa haver um clima entre os dois personagens, no entanto algumas complicações começam a surgir, principalmente devido à inveja de outras dançarinas, como Lara Lovely que a aborrece constantemente.

A vida de Seraphine se torna ainda mais complicada com a chegada Ian, um jovem estudante de Psicologia que começa a morar no apartamento ao lado do dela. A partir daí, alguns segredos sobre o passado de Adrian aparecem, e a relação entre guardião e dançarina fica um pouco balançada. A trama é tão bem escrita, assim como os diálogos e o perfil dos personagens, que o leitor acaba se tornando insaciável e ansioso para saber o final do livro - algo totalmente surpreendente.

"La Lune" é, de fato, um livro que merece ser lido - e colocado de cabeceira - devido à sua grande mostra de inteligência literária, o que mostra a força e a capacidade de a escritora se tornar cada vez alguém de sucesso na profissão.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

DICAS DE EVENTO CULTURAL (29/11 a 05/12/2019)

SÃO LUÍS

TEATRO ARTHUR AZEVEDO
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LIVRARIA AMEI - ASSOCIAÇÃO MARANHENSE DE ESCRITORES INDEPENDENTES

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SÃO PAULO

LIVRARIA SARAIVA

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LIVRARIA CULTURA

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Resenha de livro: Um carinho na alma, de Bráulio Bessa

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A poesia ainda vive e persiste na literatura brasileira contemporânea como modo de purificação e de mostrar os sentimentos e questionamentos acerca de vários assuntos que cercam o poeta. A necessidade da poesia faz forte quem a faz e demonstra que há uma enorme forma de descrevê-la e vivê-la.
Há sempre alguém que se destaque na poesia brasileira atual e uma dessas pessoas é o poeta Bráulio Bessa que iniciou sua carreira fazendo sucesso na internet e depois ganhando um quadro fixo no programa na Rede Globo. Desde seu primeiro livro lançado, Bessa mostrou sua grandiosidade na poesia, o que só melhorou ao longo dos anos. Em seu livro "Um carinho na alma", não foi diferente e o poeta continua conquistando mais leitores devido à sua escrita inteligente. O livro debate diversos temas, desde a amizade, o amor e a esperança até temas mais fortes e críticos, como a seca, a injustiça e a falsidade. O livro ainda traz relatos de sua vida e de sua infância quando mora em Alto Santo, no Ceará, além de suas experiências na poesia.


O LUGAR EM QUE NASCI E FUI CRIADO

Viajei em meu carro de madeira
na estrada que o tempo projetou.
O menino aqui dentro me guiou
e a saudade foi a minha passageira.
De repente avistei uma porteira
com a placa: Bem-vindo a seu passado.
Nessa hora o meu peito acelerado
pisou forte no freio da lembrança.
Tem pedaços do meu tempo de criança
no lugar em que nasci e fui criado. (p.30)


FOME DE EDUCAÇÃO

Até quando o Brasil vai suportar
ver seu povo carente de saber,
tanta gente sem ler, sem escrever,
sem escola descente pra estudar, 
pois até a merenda escolar
alimenta a tal corrupção.
Num lugar em que tudo dá no chão
na escola deveria ter fartura.
Um país desnutrido de leitura
só se salva comendo educação. (p.109)


O SILÊNCIO DO MAL

O mal é silencioso,
se esconde pra lhe encontrar.
Muitas vezes é discreto 
e não costuma gritar.
A voz da maldade é baixa
mas Deus consegue escutar. (p.113)


A poesia de Bráulio Bessa é simples, mas intensa e bem escrita, mostrando que a poesia é necessária e faz, como o título do livro sugere, um carinho na alma, o que intensifica cada vez mais sua fama de exímio poeta e cordelista. A leitura leve nos faz acalmar o espírito e o coração, nos leva a entender o valor e a beleza de se escrever poesia em um mundo tão agitado quanto o atual.


Morreu Maria Preá

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Um Olhar Sobre a História- A Grécia Antiga- A Mitologia Grega

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Olá suplementistas literários. Hoje vamos falar sobre um tema que todos nós conhecemos. Na verdade, não acredito que exista uma única pessoa que já não tenha ouvido alguma história ou sobre algum deus da Mitologia Grega.

Citando o autor de “O Livro da Mitologia”, Thomas Bulfinch, “sem o conhecimento da Mitologia, boa parte de nossa elegante Literatura não pode ser compreendida e apreciada”. Bom, talvez não pegamos realmente um livro de Mitologia e o lemos, porém provavelmente já lemos algum livro que possui elementos da Mitologia. Já ouviu falar de Percy Jackson ou até mesmo uma das séries mais famosas, Harry Potter? Ou podemos citar as grandes epopeias Ilíada e Odisseia. Ou até mesmo na música. A lenda de Ícaro, por exemplo, é retratada em uma das músicas de uma das bandas mais famosas do heavy metal, Iron Maiden, a canção Flight of Icarus. Pois é, meu querido leitor, a Mitologia Grega está mais próxima de nós do que imaginamos.

Mas o que seria Mitologia? A Mitologia é o estudo de mitos, lendas e a interpretação dos mesmos em alguma cultura. Os mitos geralmente retratam o mundo como ele era antes de o conhecermos. Podemos conhecer muito da cultura grega por meio dessas lendas. Por exemplo, você provavelmente já ouviu falar algo sobre a lenda do Minotauro. O estudo dessa lenda nos ajuda a entender a influência da cultura cretense sobre a grega.

Algo interessante sobre os deuses gregos: eles tinham características e sentimentos humanos, sendo capazes de ajudar ou prejudicar os humanos, mas, diferente dos humanos, eles eram imortais.

Podemos ficar horas discutindo a mitologia grega, realmente ela nos fascina, porém existem outras culturas que são tão interessantes quanto a grega e que ficarão para serem discutidas nos próximos posts. Na nossa próxima conversa, veremos sobre a educação na Antiga Roma. Até lá!


por Vanessa Elisa

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Um pouco sobre a literatura maranhense


A concepção da literatura maranhense se deu a partir do Romantismo no século XIX, mais precisamente em 1832 com a publicação do poema Hino à tarde, de Odorico Mendes. Pode-se dizer que a construção de uma ideologia na criação literária se deu no Brasil aos poucos, tendo em vista o processo civilizatório no país, além de ser importante analisar que o desenvolvimento do Brasil como país se deu de forma lenta, ocorrendo de fato em 1822 após a independência em relação à Portugal e após mais de três séculos de colonização.

Percebe-se, de certo modo, que a introdução e o desenvolvimento literários no país ocorreram bem devagar, a princípio, devido às primeiras produções locais não terem nenhum parâmetro artístico propriamente por partes dos escritores locais, mas apenas sobre o local. Pode-se afirmar que os escritores presentes no país no início de sua formação literária eram oriundos de Portugal, mas, mesmo assim, contribuíram para a produção artística da época, como afirma Joaquim Norberto de Sousa Silva: “os autores brasileiros começaram de aparecer no começo do século décimo, no meio da luta da invasão holandesa, que ainda hoje conhecemos pelo nome de ‘Guerra brasílica’”.

Argumenta-se, no entanto, que os primeiros escritos eram apenas sobre o Brasil, mas não foram perpetrados por brasileiros natos, ainda mais devido à literatura feita até então estar intrinsecamente ligada a Portugal, como se pode notar com os primeiros textos feitos no início do século XVI, que eram basicamente de viajantes como Pero Vaz de Caminha o qual apenas descreveu o que vira ao chegar a território até então desconhecido – além disso, esse tipo de texto era literatura de informação, ou seja, “são informações que viajantes e missionários europeus colheram sobre a natureza e o homem brasileiro”, e de produções feitas até início do século XIX com o advento do Romantismo em 1836, época até a qual a maioria dos escritores eram portugueses ou filhos de portugueses, mas nascidos no Brasil colônia, como era o caso de Gregório de Matos, que nascera na Bahia, mas tinha formação na Universidade Coimbra e, por isso, ainda discutia em seus textos assuntos muito atrelados à Portugal, embora negativamente como quando escrevia “contra algumas autoridades da colônia, mas também palavras de desprezo pelos mestiços e de cobiça pelas mulatas”.

Pode-se afirmar, portanto, que a literatura brasileira teve início com o Romantismo, o qual ocorreu com grande força no Maranhão, tendo sido nesta época em que houve uma imensa necessidade de se começar a escrever sobre aspectos propriamente nacionais com o objetivo de se construir uma identidade própria e sem aquela influência portuguesa que ainda havia nos séculos anteriores. A partir daí, começa-se a notar uma enorme produção literária acerca dos assuntos nacionais ao se destacar questões sobre as necessidades que havia em território brasileiro, a natureza e assuntos sócio-históricos, no entanto por meio de um olhar puramente romântico, cuja formação não foi diferente em território maranhense que teve escritores com grande importância para a formação literária local, como Gonçalves Dias, Sotero dos Reis, Sousândrade, Antonio Lobo, Odorico Mendes, entre outros nomes que compuseram as primeiras gerações de grandes escritores maranhenses, os quais, assim como na produção nacional, tentaram colocar na escrita algo que demonstrasse as características que os identificassem, ou seja, a intenção era formar uma literatura sem nenhuma influência externa, como vinha acontecendo até aquele momento na literatura brasileira.

Pode-se dizer, portanto, que o intento foi perpetrado em um momento que a economia maranhense estava no auge após São Luís ter sido escolhida como sede da Companhia do Grão-Pará e Maranhão, o que contribuiu com o recebimento do codinome Atenas Brasileira, pois este grande desenvolvimento econômico ajudou a cidade a obter um enorme crescimento literário com o surgimento de nomes importantes que formaram três grupos importantes: Grupo dos Maranhenses formado por Gonçalves Dias, Odorico Mendes, Joao  Francisco Lisboa, Sotero dos Reis, Sousândre e Maria Firmina dos Reis; Grupo dos Emigrados formado por Arthur Azevedo, Aluísio Azevedo e Raimundo Corrêa; e os Novos Atenienses formados por Antônio Lobo, Fran Paxeco, Nascimento de Morais, Viriato Corrêa, Humberto de campos, Maranhão Sobrinho.

Embora tivesse ocorrido um enorme desenvolvimento econômico com a produção de açúcar e algodão, no início do século XIX a economia maranhense entrou em queda “com a Abolição da Escravidão, em 1888, a queda da Monarquia e a derrocada da agroexportação”, o que ocasionou numa queda da produção literária no Estado.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

DICAS DE EVENTOS CULTURAIS (15 A 21/11)

SÃO LUÍS

LIVRARIA AMEI - ASSOCIAÇÃO MARANHENSE DE ESCRITORES MARANHENSES
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RIO DE JANEIRO

LIVRARIA DA TRAVESSA 
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SÃO PAULO

LIVRARIA CULTURA
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LIVRARIA DA TRAVESSA
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RESENHA DE LIVRO: O MEMORIAL DO CONVENTO, DE JOSÉ SARAMAGO


A literatura portuguesa passou por diversas mudanças desde os tempos da navegação até a contemporaneidade. A forma de se contar uma história passou por um processo de desenvolvimento e de aprimoramento artístico e literário, em que se usava tanto noções de subjetividade quanto objetividade, cuja produção de conhecimento busca uma verdade absoluta dos fatos, ao contrário de uma subjetividade que está fora do processo desse tipo de escrita.

A produção da narrativa, com seus elementos narrativos, vem a desenvolver uma análise mais subjetiva de fatos. A priori, o que muitos tentam perpetrar é uma análise da relação entre fato e ficção: em que pontos esses dois elementos poderiam se cruzar? Como seria possível haver ficção dentro de fatos reais, ou seja, como ficcionar a realidade?

Saramago foi um daqueles escritores que souberam como nunca utilizar a literatura como ninguém. Por meio de uma linguagem coloquial e corriqueira, como em crônicas, o escritor soube, por exemplo, utilizar os sinais de pontuação de modo “solto, lúdico e subjetivo”. Foi de um modo diferente que Saramago conseguiu delinear com minúcia fatos aparentemente sem importância, mas que davam outro relevo para a leitura de seus romances. O romance O memorial do convento, publicado em 1982, foi um dos excelentes romances do escritor José Saramago. Provavelmente, para muitos críticos há certa dificuldade em se classificar o romance em um subgênero literário, apesar de muitos acreditarem que se trata de um romance histórico.

É nesse meio, entre romance histórico e crônicas de costumes, em que O Memorial do convento se encontra: um tipo de obra que procura tanto mostrar uma análise sobre Portugal do século XVIII e um tipo de romance que delineia o espaço social desse momento. Saramago procura tanto mostrar um pedaço da história de Portugal como discutir as relações entre os indivíduos da sociedade portuguesa através de seus personagens (cada um representando uma camada social). A priori, pode-se dizer que o romance é escrito como uma sátira religiosa de forma muito irônica, fazendo comparações no contexto da obra com a realidade de Portugal. Na Europa, a Igreja católica passava por enormes conflitos internos e externos com a Reforma e a Contrarreforma, fatores cruciais para a insatisfação de boa parte dos fiéis. No trecho a seguir, o narrador do romance afirma:

Mas não falta, por isso mesmo falecendo mais facilmente que morra por ter comido pouco durante toda a vida, ou o que dela resistiu a um triste passadio de sardinha e arroz, mais alface que deu a alcunha aos moradores, e carne quando faz anos sua majestade. Quer Deus que o rio seja pródigo de peixes, louvemo-los aos três por isso. [...] mas esta cidade, mais que todas, é uma boca que mastiga de sobejo para um lado e de escasso para outro, não havendo portanto mediano termo entre a papada pletórica e o pescoço engelhado, entre o nariz rubicundo e o outro héctico, entre a nádega dançarina e a escorrida, entre a pança repleta e a barriga agarrada às costas. Porém, a Quaresma, como o sol, quando nasce, é para todos.

Neste trecho, há certa descrição das formas de controle que havia em Portugal durante o século XVIII, formas que continuaram a existir até o século seguinte. São essas estruturas sociais que, de certa forma, vão nortear o rumo do romance, além de se destacarem as questões políticas de dominação do povo e, assim, pode-se dizer que “o livro é uma metáfora do capitalismo”. O narrador vai tratando o caso da religião como um embate entre o que seria considerado religioso – como a Inquisição, os Autos-de-fé e as Procissões – e o que seria profano – como os entrudos e as touradas. Uma crítica é um tipo de descrição do período setecentista, época em que houve muita censura por parte da Igreja Católica.

Para época, seria um tipo de situação de favores marcados fortemente por características da Igreja que era crucial para fortalecer pactos entre nações, como na seguinte passagem do romance. Este tópico é essencial para se entender a relação entre o momento histórico do século XVII em Portugal e o momento em que o livro é escrito. Relacionam-se esse poderio da inquisição com a ditadura salazarista em que houve muito esforço por parte do governo português para se reprimir a força do povo, que, assim, seria uma metáfora ligada às pessoas que construíram o Convento de Mafra a pedido do rei D. João V, algo paralelamente relacionado a população portuguesa que viveu durante a Ditadura. Saramago deixa claro essa relação quando descreve Baltasar, que “foi mandado embora do exército por já não ter serventia nele, depois de lhe cortarem a mão esquerda”.

No capítulo 23 do Memorial do convento, por exemplo, Saramago começa narrando o casamento da infanta Maria Bárbara com o príncipe D. Fernando de Castela e o casamento do príncipe de D. José com Mariana Vitória. É uma parte que fala muito da relação histórica entre Portugal e Espanha, e uma parte que Saramago discute muito para debater sobre a política e história portuguesas, principalmente na época em que se passa o enredo do romance.

Não são as combinações do pé para a mão, os casamentos estão feitos desde mil setecentos e vinte e cinco. Muita conversa para conversa, muito embaixador, muito regateio, muitas indas e vindas de plenipotenciários, discussões sobre as cláusulas dos contratos do matrimônio [...]

Em boa parte do capítulo, Saramago vai narrar essa parte histórica entre os dois países – Espanha e Portugal. Em uma dessas partes, narra-se o trabalho de João Elvas no arranjo das ruas, após a chuva torrencial, para que o carro da rainha e da princesa possa prosseguir para Montemor, e a chuva ainda prosseguiu durante a ida para Évora. Durante a viagem para Évora, a princesa afirma que desconhece o contento que se está a erguer em favor de seu nascimento, depois de ver homens presos a serem enviado para trabalhar em Mafra. Todo o capítulo envolve a viagem da princesa e do príncipe para poderem se casar. Ao longo dessa viagem acontecem diversos problemas com a chuvas e discussões sobre, por exemplo, a suspeita de que Baltasar voou com Bartolomeu de Gusmão. Somente no final do capítulo, quando se passaram oito dias após a saída de Lisboa, é que ocorre a cerimônia da troca de princesas peninsulares.

Fazer uma relação entre os povos portugueses dessas diferentes épocas seria um modo de tentar realizar uma comparação entre as temporalidades das coisas, ou seja, dos fatos históricos em Portugal ocorridos em épocas diferentes. Assim, “o fato de Baltasar ser maneta, por exemplo, apresenta-o como personificação do povo, que construiu com as próprias mãos a nação e sem nada ficou”. É uma analogia que Saramago faz ao desejo do povo português, povo que trabalhou arduamente para a construção do convento de Mafra e parece ser sempre a camada menos importante da história de Portugal.

Esse e um dos aspectos mais importantes que Saramago vem a descrever em seu romance: ao invés de escrever um romance se apegando nas camadas mais ricas e importantes da sociedade portuguesa – a corte real, por exemplo -, percebe-se uma apologia à força dos operários do convento. É perceptível, nesse caso, a forma como se tratam as camadas sociais: “[...] as estruturas de dominação são impessoais, sistémicas, técnicas, quase brancas: o Governo, a Administração, o Centro, a Cidade”, enquanto que “os heróis têm nome e identidade”. Saramago mostra a força do povo, cuja vontade é a maior na construção do povo. Percebeu-se que um dos pontos mais criticados pelo escritor foi o ponto de vista político, visando a uma ideologia que confrontasse a classe social que mais dominava e assolava os mais fracos: os poderosos políticos contra o povo, sendo este quem realmente tinha força por poder promover os mecanismos principais para o desenvolvimento da sociedade.

Trata-se de um convite a uma crítica pesada contra os grupos sociopolíticos que agia de modo áspero contra o povo:  a má administração do Governo que não cuidava de pontos importantes da sociedade; uma Igreja católica que mentia para os seus fiéis, infringindo as leis religiosas: tudo isso numa comparação entre a riqueza da coroa e do clero portugueses e a miséria do povo. É deste modo que podemos verificar como Saramago conseguiu, através de seus personagens únicos (fala-se dos heróis do Convento, o próprio povo), mostrar as divergências na sociedade portuguesa de épocas diferente.



quinta-feira, 14 de novembro de 2019

RESENHA DE FILME: HISTÓRIAS CRUZADAS



Saudações Literárias!!!
Aos amantes da amada literatura, informo que essa resenha é feita sobre o filme Histórias Cruzadas.

Nesse mês de novembro temos uma data memorável, conhecida também com dia de Zumbi dos Palmares. O Dia da Consciência Negra se tornou no aniversário da morte de Zumbi dos Palmares, em homenagem à sua luta pela causa dos negros, pela igualdade social e inclusão.

Histórias Cruzadas é um filme com histórias impressionante. Quando assisti me senti dentro da história, me vendo naquelas situações. Imagino o quanto os negros não sofreram em outras épocas. Jackson Mississipi é praticamente comandada pela cúpula da branquitude, de tal forma que os negros, mesmo "livres", não tinham voz, poder e respeito. Eram tratados como se fossem um vírus: entrada de cinema separado dos brancos, inclusive banheiros, que as madames não queriam se misturar com as negras para não terem doenças.

Eugênia Skeeter, vivida por Emma Stone, é recém-formada e com um desejo de se tornar escritora volta a Jackson, Mississipi. Sua mãe Charlotte Phelan, vivida por Allison Janney, não se agrada tanto, pois quer que a filha arrume um bom marido e faça um grande casamento. Revendo suas amigas, deparou-se com uma realidade com a qual não se conformou, mas não podia fazer algo sobre o assunto. Hilley Holbrook, vivida por Bryce Dallas Howard, é uma mulher autoritária influenciadora que manda e desmanda em tudo, tratando suas amigas como serviçais.

É considerada um exemplo de esposa, mãe e mulher, mas no quesito igualdade social passa longe. Sua amiga Elizabeth, vivida por Ahna O'Reilly, é uma das influenciadas por ser amiga de infância e ser do tipo que não tem opinião própria, fazendo tudo o que Hilley diz ou manda. Seu esposo Raleigh Leefolt, vivido por Shane McRae, não tolera muito o comportamento da esposa com relação às atitudes, modas, entre outras coisas. Elizabeth tem uma filha Mobley, vivida pela pequena Eleanor Henry, garotinha linda, porém a mãe não achava bonita o suficiente para os padrões e ignorava um pouco a criança. Mobley foi criada pela empregada que em algumas citações do filme é escrava doméstica por Aibileen Clark, vivida por Viola Davis, negra filha de pais negros, uma mulher que não tinha boca para reclamar mesmo que os insultos viessem e ela tivesse que cuidar dos filhos da branquitude enquanto não podia criar seu próprio filho até ele ser retirado da sua vida de vez.

Aibileen já estava cansada de viver essa vida sufocada pelo medo, mediante as manifestações que aumentavam cada dia mais e nesse tempo a violência contra os negros também aumentava. Minny Jackson, vivida por Octávia Spencer, perde o emprego, mas não levava desaforo para casa. Minny estava trabalhando na casa de Hilley, até que rolou muito as presepadas da patroa. E é aí que Skeeter começa a se interessar pela vida das domésticas de Jackson ao ver Hilley se propagar em fazer propostas ao prefeito de manter cada vez as negras longe, mas não a ponto de se desfazer de seus trabalhos. Uma das ações de Hilley foi fazer um banheiro do lado de fora da casa para as empregadas, o que acabou com o emprego de Minny por precisar usar o banheiro, mas uma tempestade a impede e nesse momento avisa a senhora Missus Walter, vivida por Sissi Spacek, que vai buscar chá. Logo Minny está dentro do banheiro de Hilley e ela está logo atrás da porta e já sabe o vendaval acontece. Assim Minny é despedida, mesmo sem usar o banheiro.

Minny e Aibileen são muito amigas e essa situação deixa Aibileen triste. Nesse meio tempo, Skeeter insiste em escrever a história de Aibileen, mas o medo de ser massacrada pela sociedade a impede até o momento de se cansar de se esconder, logo a jornada delas começam. No começo, ela não consegue falar sobre isso, pois prefere contar a história com a própria voz. E assim nosso filme segue com três narrativas: uma pela vida de Aibileen, a segunda por Minny e a terceira por Skeeter. O decorrer dessa trama acontece algumas reviravoltas. Em casa Minny sofre com a agressão do marido todos os dias, até uma nova rica aparecer na sua vida. Celia Foote, veio da 'favela', nascida em cidade pequena e de condições financeiras mais simples, ela conquistou o coração de Johnny Walters vivido por Mike Vogel, que simplesmente já foi namorado de Hilley, o que torna a vida da Celia uma chateação, pois ela tenta se incluir na nova sociedade, mas por estar com o ex da influenciadora Hilley, que fez com que todas a ignorassem. Celia, por sua vez, vive em uma casa enorme e vazia. E aí Minny se torna a sua empregada ensinando tudo a ela, mas não só ensinar as duas se tornam amigas. Celia não a trata como a negra, mas com igualdade e respeito, e essa é uma das partes lindas do filme. Mas o melhor vem para o final, muitas coisas acontecem e só incentiva as empregadas a contarem suas histórias a Skeeter e logo essas histórias se tornam um livro. E esse livro bomba de vendas, e logo todos estavam lendo o que as patroas vinham fazendo com suas empregadas.

Gente, eu gostaria de poder falar mais, pois esse filme tem muito conteúdo e eu amei assistir. Então indico para vocês, para assistir nesse mês de comemoração de Zumbi dos Palmares.
Nós nos vemos em breve.
Até.

Por Beatriz Santos
 @roendopaginas @beatrizsantos.autora