sexta-feira, 20 de julho de 2018

Clube do Livro online do Suplemento Literário


Estão definidas as leituras do segundo semestre do Clube Do Livro do Suplemento Literário do Maranhão, clube online no Whatsapp. O primeiro livro a ser discutido é Precisamos Falar sobre Kevin, de Lionel Shiver, no dia 01 de agosto, a partir das 20h. Para participar grupo do Whatsapp, acesse a nossa página no Instagram @suplementoliterario e clique no link no perfil.

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-1 de agosto, às 20h
Precisamos falar sobre Kevin, de Lionel Shiver
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- 4 de setembro, às 20h

O menino do pijama listrado, de John Boyne
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- 1 de outubro , às 20h
O menino no algo da montanha, de John Boyne 
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- 1 de novembro, às 20h
Morte Súbita, de J.K. Rowling
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- 4 de dezembro, às 20h

O ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

sábado, 14 de julho de 2018

Resenha: O diário de Anne Frank

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Na literatura, sempre se notou certa relação entre a obra e seu condicionamento social, pois é inegável um condicionamento social como ponto crucial para entendê-la até determinado momento. Desde modo, pode-se afirmar que há um vínculo entre obra e ambiente e que a obra apresenta um valor e um significado que auxiliam a demonstrar características da realidade.
Percebe-se que o texto e o contexto apresentam uma relação que mostra as essências para entendimento da obra, pois entende-se que os dois estão interligados para que se forme o conteúdo e toda a forma de uma obra literária, independente do gênero. Logo, os fatores externos vão formando a estética da literatura de sua época e sociedade por meio do que se pretende firmar na literatura com objetivos pessoais, políticos ou mesmo sociais.
Sendo assim, ao longo da história da construção e desenvolvimento do mundo e da crítica literária, notou-se que há certos momentos que são pródigos de excelentes e péssimas atitudes. No século XX, ocorreram duas grandes guerras que devastaram as vidas de muitas pessoas e em vários países, fato que foi sentido em vários critérios da vida, como o religioso, cultural, político, econômico e social. Um dos povos que mais sofreram na época das Grandes Guerras foi o judeu, que sofreu muito preconceito, principalmente na Alemanha de Hitler o qual afirmava que os alemães eram os únicos de origem pura e ariana. A partir daí, começava o antissemitismo que, por meio de leis promulgadas na época, retirava os direitos dos judeus.
Devido a todo período de perseguição, a família da jovem Anne Frank percebeu que necessitava sair da Alemanha para conseguir oportunidade de vida melhor e acabou se mudando para Amsterdã, onde viveu em um anexo de uma casa que pertencia a um grupo de amigos. Assim que a Segunda Guerra começou em 1939, alguns jovens judeus começaram a anota em diários tudo o que se passava. Assim fez Anne Frank que, de 1942 a 1944, contou toda a sua vida, sua rotina e privações que passava dentro do anexo, enquanto seu pai, Otto Frank, tenta buscar fugir para o continente americano. Infelizmente, em 1944, após três dias das últimas anotações de Anne, ela e sua família é descoberta no anexo, presa pela polícia nazista e levada ao campo de concentração. No ano seguinte, Anne Frank acaba falecendo de febre tifoide.
Após o fim da guerra, Otto Frank volta a Holanda para encontrar o resto de sua família, mas verifica que todos foram mortos. Tempos depois, entra em contato com o diário de sua filha Anne e percebe a qualidade de seus escritos e o publica em 1947. Desde ano, o Diário de Anne Frank se tornou fenômeno mundial, tendo vendido milhos de exemplares. Mas, como explicar o fato de isso ter acontecido em tais circunstâncias? Uma das explicações mais plausíveis foi dita por Anne: "Vim para o anexo quando tinha treze anos e, por isso, fui obrigada a refletir mais cedo sobre o Mundo e a fazer a descoberta de mim mesma como de um ser humano que deseja ser independente”. O livro apresenta grande valor literário, histórico e humanístico, além de servir como fonte de reflexão sobre as mazelas feitas pela humanidade.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Resenha: Eu, diário de uma garota chocrível, da escritora Márcia Marques


Tendo início no século XIX com a publicação do poema Hino à tarde, de Odorico Mendes, a Literatura Maranhense sempre foi tendenciosa a ser um berço de inúmeros escritores de imensa qualidade por meio de publicação de vários gêneros. Considerando os fatores sociais no seu papel de formadores da estrutura, percebe-se que são tão importantes quanto os elementos psíquicos para a análise literária, e, nesse sentido, a literatura é uma mescla das relações entre o escritor e a sociedade de sua época, pois o meio auxilia a condicionar a ideologia do escritor e, consequentemente, suas características literárias. Pode-se dizer, deste modo, que cada livro é um reflexo do da interação entre o escritor e sua vida ao longo de sua construção como pessoa, ou seja, seus comportamentos e seu ponto de vista podem ser vistos dentro de sua literatura, independente do gênero literário.
Os livros chamam a atenção do leitor de acordo com a escrita e a história vai sendo contada ao longo livro. Alguns conhecem essa façanha de forma extraordinária, deixando a leitura leve e rápida devido ao prazer por ela. É desta forma que a escritora maranhense Márcia Marques fez seu livro Eu: diário de uma garota chocrível (Bella Editora, 2018, p.450), publicado recentemente em São Luís.
Baseado na década de 80, o romance infantojuvenil conta a história da adolescente Maia de Oliver que narra sobre sua vida. Após a separação de seus pais, Maia começa a ficar pensativa sobre sua mãe não se preocupar mais com ela. Depois de um tempo, a adolescente passa a viver com o pai e com sua nova mulher que a ajuda em suas novas aventuras. O enredo do livro tem um formato de um diário narrado por Maia que conta toda a sua vida na adolescência, além de todos os conflitos e felicidades que uma jovem passa nessa fase da vida, até o primeiro namorado e primeiro beijo.
A leitura de Eu: diário de uma garota chocrível é leve e muito boa, deixando o leitor querendo mais. Além disso, foi publicado no livro imagens que podem ser escaneadas pelo celular para fazer uma realidade aumentada. Vale a pena a leitura desse livro que é de uma série que a autora decidiu publicar.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Entrevista com o POETA CÉSAR WILLIAM DAVID

César William David nasceu  em São Luís em 1967. Estreou na literatura em 1988 com o livro de poemas "O errante". Ao longo de sua trajetória como escritor, participou de várias antologias poéticas. É professor, autor de ensaios, crônicas, contos... Já atuou como radialista e escreveu para vários jornais de grande circulação no Estado.

César Wlliam David, professor e poeta. Como surgiu o ser poeta?
A poesia me vem das coisas desencontradas que se encontram em mim, de uma solidão antiga que me fez amadurecer mais rápido que as crianças da minha época. Cresci presenciando o filosofar do meu pai, pedreiro, homem simples, mas de grande sabedoria, um ambientalista, ativista sem se dar conta do que é e do que fez em mim. Quanto aos livros, desde cedo fui cercado pelos grandes clássicos da Literatura estrangeira, nacional e maranhense. Tive a sorte de ter uma madrinha que adorava leitura, artes, cultura, Aricéia Moreira Lima.

Professor, fale-nos de sua experiência com a literatura e dos poetas que contribuíram para o seu amadurecimento como escritor.
É uma experiência de sofrimento, de alegria e de  mistério, porque não posso me desassociar do ato de escrever, mas geralmente finjo para mim mesmo que me contento com o banal. Foram os geniais Fernando  Pessoa, Drummond, Florbela Espanca, Nauro Machado, Ferreira Gullar, Walt  Whitman, Emily Dickinson, Neruda, Mário de Sá Carneiro, Bandeira Tribuzzi, José Chagas, Salgado Maranhão, Paulo Leminski, Dostoievski... que me avessaram. Faço questão de misturar os maranhenses com os estrangeiros, pois quando os leio abasteço-me de uma vitamina que me atira para as laudas, aí, percorro trilhas e trilhas, perquirindo veredas mil.

Além de livros de poesias você já publicou livros voltados ao ensino do conteúdo da disciplina de Língua Portuguesa e de apoio ao professor. Quando sai uma nova publicação?
Estou em uma fase boa. Não me preocupo com publicações, mas em breve, ainda este ano publicarei. Como disse Manoel de Barros, "ser poeta é voar fora da asa". É isso que faço. Hoje opto por poemas mais sintéticos, busco apresentar uma sofisticação em que a logopeia e a fanopeia se desmancham em um armazenamento de ecos e cores, valendo-me do cotidiano, no assombro do que vejo nas pessoas ou nas coisas ou no sossego da esperança.
Escrever poemas para mim é um exercício que já não é só uma questão de "treino", mas de meio, um meio para eu chegar ao meu inteiro.

Gonçalves Dias Sousândrade e outros poetas geniais deram à São Luís o status de Atenas Brasileira. São Luís ainda é a Atenas Brasileira?
São Luís é uma mina de poetas. Isso não acabará nunca, porque a poesia que inunda nossos poetas é um ente que sempre está pedindo morada. Quanto ao título, é preciso que haja organização em torno do fazer literário. Somente organizados poderemos continuar com a tradição.

Há 30 anos a internet não tinha o poder que tem hoje com suas redes e ambientes virtuais onde qualquer pessoa pode se fazer escritor nas horas vagas e ter contato com a escrita de outros milhares de escritores iniciantes. Como você ver isto?
Há barrismos, igrejinhas e muita confusão entre a verdadeira literatura e a literaturice que banaliza o ato de escrever, porque muitos ficam entre o fútil e o fácil.

O FEMA é um grupo criado em janeiro deste ano, o mesmo objetiva reunir escritores iniciantes de todo o Maranhão para discutir a literatura maranhense e incentivar a escrita em todas as suas modalidades. Estar surgindo uma nova geração de escritores aí?
Uma nova geração de escritores, não, um novo movimento que pode fazer com que novas e velhas gerações venham interagir. Pode ser que nomes sejam revelados, como o meu.

Por último, que conselho você daria aos escritores iniciantes que almejam evoluir e tornar-se escritores maduros?
Leitura, leitura, leitura, leitura, vorazmente leitura. LEITURA DOS BONS.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

CRÍTICA PSICANALÍTICA SOBRE A OBRA O ALIENISTA, DE MACHADO DE ASSIS


A crítica psicanalítica procurou estudar dentro da literatura, através do víeis de Lacan e Freud, a subjetividade do ser colocando a questão do ler, escrever e falar, e, assim, estudar a teoria do inconsciente por meio dos símbolos que o representam a fim de se entender a fantasia e o desejo dentro das obras literárias.
Além disso, criaram conceitos de significado e de imagem (fazendo alusão à teoria estruturalista de Ferdinand Saussure) para demonstrar como é definida a realidade em volta da sociedade ou em torno de um indivíduo. O conceito e a imagem estariam num jogo de significados em que o primeiro seria a representação da realidade pelas diferenças, enquanto o segundo sinaliza a realidade por “diferenças de outras palavras”. Começa-se a tornar o inconsciente como objeto oculto no texto: “o inconsciente é estruturado como uma linguagem”. Adotam, então, o caminho da metáfora e da metonímia para partir de uma ordem simbólica até a compreensão: a metáfora, segundo Lacan, como uma substituição de significados; e a metonímia, como um processo de substituição do real pelo imaginário que pode até torna-se coletivo (relações inconscientes com o inconsciente coletivo).
Deste modo, percebe-se que o livro O alienista, de Machado de Assis, possui uma forte influência da psicanálise, uma vez que o autor tenta desvendar o “mundo interior” de cada personagem (principalmente o principal, Simão Bacamarte) a fim de revelar as aparências do “eu” que está submetido à vida social. Trata-se de certas relações: entre o parecer e o ser, a máscara e o desejo, o mundo obscuro da vida interior, corroborando na aparência do inconsciente.
Como em todos os contos de Machado, nos quais apresenta apenas um conflito, é trabalhado em O alienista um tópico singular: as fronteiras entre a razão e a loucura que são trabalhadas com relação ao poder, usado pelo Simão Bacamarte de acordo com seu interesse e pelo qual iria analisar as aparências do inconsciente de cada habitante de Itaguaí. Liga-se a esse aspecto o poder interpretativo do alienista que utilizou para chegar à conclusão do grau de loucura das pessoas e subdividindo-as em classes. Isso acontece em dois momentos da história primeiro quando ele afirma no começo do conto: “[...] demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia, e só insânia”. Com essa definição, Bacamarte chegou a dividir os “loucos” da Casa de Orates (casa de loucos) em “furiosos e mansos; daí passou às subclasses, monomanias, delírios, alucinações diversas”. No final da história chega a um conceito totalmente inverso: “[...] se devia admitir como normal e exemplar o desequilíbrio das faculdades, e como hipóteses patológicas todos os casos em que aquele desequilíbrio fosse ininterrupto”:
Assim, a loucura descrita por Simão Bacamarte seria o “tronco de todas as outras identificações”. Partiria de um simbolismo poético em que a imagem desse termo surgiria de uma projeção que o alienista faria das outras personagens através, segundo ele, de explicações científicas aceitáveis e lógicas. Entretanto, acaba dando definições errôneas, em certo ponto, e projetando sua alienação aos outros. Freud explica bem isso quando fala sobre a racionalização ao firmar que o indivíduo desloca para os outros características próprias com os quais tem certa dificuldade de convívio. Seriam, então, características reprimidas e quando conscientes são projetados ao outro.
Portanto, a loucura tratada por Machado de Assis como patologia é definida por meio do inconsciente. Como dizia Lacan, “o inconsciente é estruturado como a linguagem”. Possui um conceito e uma imagem (significante - ideia) e para Bacamarte loucura não passava de um mero objeto de estudo, visto que via nela uma suposição de intransigência que passava do individual para o social. Ocorria o que Freud chamava de deslocamento, mecanismo de defesa pelo qual afastava a expressão do Id de uma pessoa com certa característica perigosa (no caso, a loucura) para alguém que não a possua.
Michel Foucault falava que “[...] a loucura não diz respeito à verdade do mundo, mas ao homem e à verdade que ele distingue de si mesmo”. É o que se aplica a esse personagem: torna-se um ícone que dissimula os anseios do indivíduo.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

O contemporâneo na literatura brasileira

Pode-se afirmar que o que se pode debater sobre a contemporaneidade é em relação aos novos modos de se fazer cultura, manifestações artísticas, tipos de linguagens e expressões literárias. As formas presentes na atualidade são modificações e desenvolvimentos das representações anteriores, ou seja, são novos modos de expor pontos de vistas próprios por meio de novos formatos. Os novos movimentos de arte e cultura dependem das novas formas de pensar e agir da atualidade, formas essas que são modos de recepção diferentes de outrora. Essas diferenças de recepção e atuação artísticas são discutidas com relação singular ao próprio tempo. Modificam-se a natureza, etapas e limites do conhecimento humano devido às mudanças no olhar do indivíduo, na crítica cultural.
O que se fala sobre esse aspecto de convergência é mais sobre narrações de experiência subjetivas como possibilidade de mudança dentro do aspecto das artes e como essas artes podem chegar ao consumidor havendo um mercado diferente de anos anteriores – mais uma vez fala-se sobre o tempo – e, logo, este mercado constitui “novos processos de transmissão do saber ou de possibilidade de entretenimento”. A produção do mercado nos traz coisas novas e isto nos propõe novas formas de pensar e ver a sociedade que se modifica com o passar do tempo.
Logo, o que podemos verificar com tudo isso é o fato de que um enorme fluxo de pensamentos nos permite acelerar a ruptura entre fronteiras de conteúdo: o novo e o antigo. Nos dias atuais, a mídia contribui para este processo acontecer de forma mais provisória, mais permanente, pois há influência na distribuição de pensamento, nos modos de manifestação artísticas.
Podemos ver que o ser contemporâneo se desmistifica, reconstrói-se com o passar do tempo e com o debate ideológico. O que hoje é contemporâneo do passado passa a ser arcaico para o futuro e deixa de ser novo. Esse processo aborda sobre uma singularidade do próprio tempo: uma relação entre elementos temporais que estabelecem um modo de exteriorizar o presente com a finalidade de se chegar ao ápice do pensamento humano e este constitui o novo: é o ver nas trevas o que ninguém consegue ver.
Fica claro que algo se torna contemporâneo por meio de uma relação entre tempo, ideologia e simbolismo que se transformam por meio do surgimento e aperfeiçoamento de novos olhares sobre a arte e a literatura (ou a cultura em geral). Portanto, é notório que o pensamento parte do princípio de uma necessidade de reflexões sobre o conhecimento e o objeto a ser conhecido, ou seja, a noção sobre as coisas tende a se desenvolver e a se modificar com o passar do tempo.
Provavelmente, o que mais se pretende saber é que tipo de conhecimento se daria a determinado objeto ou à determinada imagem em/de determinada época. Tenta-se saber se há mais algum conceito a ser retirado de tal reflexão. E é nesse ponto – nessa perspectiva – que percebemos que definir contemporâneo vai além de uma simples reflexão sobre o conhecimento: é toda uma ruptura – que leva tempo – de conhecimentos interligados com a cultura, a sociedade e o indivíduo.
A literatura brasileira passou por diversos moldes para ter o seu feitio de hoje. Logo, o que se pode ver no processo de construção literária e cultural é um processo que consiste “numa integração progressiva de experiência literária e espiritual, por meio da tensão entre o dado local (que se apresenta como substância da expressão) e os moldes herdados da tradição europeia (que se apresentam como forma da expressão). O início de uma consciência formou um país em que começou a ser possível a se ter modelos e características próprios, principalmente a partir dos anos 1900, em que o pós-romântico passa a dar espaço a uma literatura de cunho mais regional e, com isso, surgem modelos totalmente diferentes.
Durante essa evolução literária, pode-se perceber que, a partir de 1922 com o Modernismo, a cultura e a literatura feita no Brasil passou a ter caráter próprio e as antigas vanguardas europeias foram deixadas de lado, diferente da literatura feita entre os séculos XVII e XIX, quando a literatura estava muito atrelada as tendências que vinham da Europa, principalmente de Portugal.
É deste modo que se consegue abrir espaço para o novo, para o diferente. Na literatura, surgiu algo diferente a ser exposto, algo que fez o a produção literária conseguir um caráter mais próprio, ou seja, a ter um caráter mais nacional e de luta contra tendências de fora e, além disso, de cunho crítico (em vários sentidos). A formação de uma nova sociedade tende a constituição de algo que desmitifica o que pode ser último para uma nova geração.
É nesse sentido que podemos perceber uma literatura mais engajada a descobrir o novo e, deste modo, a nova estrutura literária torna-se mais “avançado”. Além disso, os novos meios de comunicação foram surgindo, fato que ajudou na formação de uma nova classe leitora e, consequentemente, em novas classes sociais que foram tento características próprias em sua cultura.
Entende-se que em toda a história de formação do ‘Brasil enquanto nação foi possível averiguar uma forte tendência a separação de classes e, por isso, através de revoluções sociais e culturais, o que foi possível surgir um conjunto enorme de produção literária com diferentes aspectos, características, termos, etc. É deste modo que o Brasil foi amadurecendo em diversos sentidos e, logo, foi se tornando uma grande potência em vários sentidos. O país foi se tornando mais contemporâneo em relação outros ao que se vira séculos passados, ou seja, foi se tornando menos arcaico.
As tendências que surgiam aos poucos foram tornando o Brasil um país novo, com sua própria feição: com uma cultura mais nacional. Assim foi em Macunaíma que tentou mostrar “como cada valor aceito na tradição acadêmica e oficial correspondia, na tradição popular, um valor que precisa adquirir estado de literatura”. Assim, definir o que é contemporâneo é algo vago: o que hoje é novo, amanhã não pode ser mais. É desta forma que as coisas mudam ao longo do tempo e, no Brasil, a partir da década de 1960, tentava-se mudar o cenário cultural e literário dentro de um processo autêntico e ideológico para formação de uma nação. Alfredo Bosi afirma que “o melhor da literatura feita nos anos de regime militar bateria, portanto, a rota da contra-ideologia, que arma o indivíduo em face do Estado autoritário e da mídia mentirosa”.
 Foi um momento em que se tentou procurar meios para que se elaborassem soluções através das quais se conseguisse reformas no modelo socioeconômico do país e, através desse modelo, permitisse a construção de um país sem impasses para o fim da desigualdade. É por meio desse ponto que se pode começar a falar sobre um novo molde social que inicia um tipo de avanço cultural devido aos questionamentos feitos ao que já estava imposto ao nosso modo de pensar e receber/dar as coisas. Com esse tipo de empecilho no Brasil, podemos averiguar que havia uma necessidade de extrema mudança no cenário vivido nessa época.  Esse cenário permitiu que a cultura se direcionasse ao mercado, já que a sociedade de esquerda aumentou devido à massificação de movimentos culturais que possuíam uma formação de discurso e movimento. É nesse sentido que podemos falar que o processo cultural brasileiro no século XX – época em que o Brasil começava a ter um cárter mais nacional em sua cultura e literatura – começou a se transformar e desdobrar a outro nível estético que, embora tivesse passado por uma censura a partir de 1964 com a promulgação do A.I.5, levou o país a ter perspectivas culturais e artísticas mais ligadas ao cenário nacional.
Qualquer tipo de produção era censurado no Brasil com o início do A.I.5. Por exemplo, a novela Roque santeiro foi feita em 1975 e publicada em 1985; o romance de Ignácio Loyola Zero foi publicado originalmente na Itália; o Poema Sujo, de Ferreira Gullar, foi publicado no Brasil primeiramente em uma gravação feita por Vinícius de Moraes. Pode-se verificar que o ponto crucial de mudança na literatura brasileira foi com o Modernismo na Semana de 22 e, a partir daí, nota-se uma grande evolução na criação cultural do país.  O Brasil passou por um novo processo de identidade na literatura que foi se intensificando e se modificando até chegar à década de 1960 em que houve mudanças mais fortes na cultura em geral em busca de força para questão de ordem em termos sociais, econômicos e políticos que se mostraram nas artes.  
O que se pode ver nesse sentindo são fortes mudanças artísticas que crescem nas obras literárias, diferentes para cada autor. Em Macunaíma, de Mário de Andrade, pode-se perceber que é forte uma descrição de identidade nacional e nesta obra são desenvolvidos “estereótipos desenvolvidos na sátira popular, atitudes em face do europeu”. Percebe-se uma forte ligação entre o ano em que o livro é publicado (1928) e o ano em que é lançado o filme (1969) por Joaquim Pedro de Andrade: a questão central é basicamente a mesma – a identidade do Brasil nas artes. Desde os pré-modernistas mais fortes, como Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Jorge Amado, podemos perceber essa questão de identidade na literatura, fato que se intensificou em uma tentativa de mostrar todo o potencial literário nacional, no entanto foi uma tentativa parada durante a ditadura militar, principalmente entre 1964 e 1974 em que houve forte censura, opressão e exílio.
Esses pontos podem nos ajudar a definir o que seria ser contemporâneo. Em 1968, com tamanha censura política no Brasil, começou-se a ter insatisfações que fizeram a sociedade agir de outro modo, não permitindo represália do governo. Assim, ser contemporâneo é analisar e compreender seu tempo atual para se distanciar criticamente do atraso presente e, deste modo, os aspectos os valores humanos evoluíam dentro do que é artístico e fora dele.

domingo, 27 de maio de 2018

Resenha do livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell



Quando se discute literatura, principalmente relacionada à sociedade, nota-se que uma relação entre a obra e seu condicionamento social, ou seja, um vínculo entre a obra e o ambiente, pois vê-se que há um grande valor e significado na obra ao mostrar-se aspectos da realidade. Neste sentido, texto e contexto são elementos essenciais para compreender-se o sentido que a obra quer passar por meio de sua estética literária, fato que Antônio Cândido questionou ao tentar saber até que ponto a arte poderia expressar representar a sociedade e os problemas sociais.
Percebe-se, assim, que alguns escritores conseguem representar de forma tão exímia os valores da sociedade que os aspectos de identidade de sua época são percebidos mais criticamente. Foi deste modo que Geroge Orwell escreveu seu livro A Revolução dos Bichos em 1945 com o objetivo de fazer uma sátira contra o regime totalitarista soviético, principalmente contra o governo stalinista.
O romance conta a história de um grupo de animais que vivem em uma fazenda, cujo dono é chamado de Sr. Jones. O enredo se desenvolve a partir de uma reunião chefiada por um porco chamado de Napoleão que decidi chefiar uma rebelião contra seu dono devido às condições pelas quais são submetidas - excesso de trabalho para receber condições de vida não muito boas -, e o resultado dessa rebelião é formar um Estado só entre os animais com o objetivo de conseguir uma situação em que haja igualdade entre todos. No entanto, alguns animais – coordenados pelos porcos – começam a colocar-se acima dos outros e por suas vontades como prioridade, em uma relação com aforia “todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que os outros”.
A crítica ferrenha contra a ditatura stalinista é perceptível quando o porco Napoleão – que representaria Stálin - sobe ao poder e começa a tomar atitudes altamente totalitárias e egoístas. A partir daí, George Orwell descreve o contexto sócio-histórico de uma época em que o poder era dado para políticos-ditadores que somente traziam desigualdades em qualquer sistema de poder (capitalista ou socialista).
Nesse sentido, ao criticar a política de sua época, Orwell mostra como os animais da fazenda conseguiram reunir-se para tentar uma reviravolta contra a violência e submissão contra o governo. Entende-se esse fato como uma analogia com a sociedade da época que deveria ser contra as más condições de vida dadas pelo regime totalitarista, fazendo analogia entre Major e Lênin, Bola de Neve e Trotsky e Napoleão a Stálin como modo de criticar o sistema político de dominação que não daria certo.