segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

FEMA - FALE ESCRITOR MARANHENSE:Entrevista no Repórter Difusora (Rádio Difusora 94.3 fm)

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Hoje, às 8h30, estive no programa @reporter_difusora para um bate-papo com Robson Junior e Ricardo Bati para falar sobre o FEMA - Fale Escritor Maranhense -, um grupo independente que busca conhecer e reunir escritores maranhenses e incentivar a ESCRITA em todas as suas formas.
O FEMA pretende discutir a produção literária no Maranhão com o objetivo de influenciar escritores (iniciantes, amadores, entusiastas) de qualquer idade ou gênero literário.
A data do primeiro encontro será dia 24 de março, das 15 às 17h, na livraria AMEI (@ameimais), no Shopping São Luís, em frentre a Livraria Leitura. No primeiro encontro, apresentaremos os objetivos grupo, e cada membro-fundador falará sobre suas experiências pessoais. Além disso, teremos a presença de Natércia Garrido (@naterciagarr), que falará sobre José Nascimento Moraes, homenageado do encontro em virtude de seu aniversário de 135 anos (19 de março). O espaço será aberto para o público para recitar seus poemas em um sarau.
A entrada e a participação serão gratuitas.
Contamos com o apoio de todos.
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COORDENADORES

coordenador: Ricardo Miranda Filho

Ricardo Miranda Filho se formou em Letras (bacharelado em Produção textual) na PUC/RJ em 2015. Tem pós-graduação em Língua Portuguesa e Literatura pela Faculdade Santa Fé (São Luís/MA).
É criador da página Suplemento Literário no Instagram e no Facebook e é poeta. Seu primeiro livro (um conjunto de poemas), já registrado pela Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro), é intitulado Verbalizando o amor.

Coordenador: Ozeas CARLOS  Ramos

Comecei a escrever antes mesmo de ir à escola. Alfabetizado em casa, usava giz no chão vermelho.
Nasci em Sto Antônio de Jesus-BA. Instagram @rascunho1966.
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Coordenadora: Dea Alhadeff
Escritora maranhense, é formada em Direito, com dois livros publicados: Os segredos de uma jovem espiã e Desaparecido, os quais são mais vendidos em São Luís no perfil infanto-juvenil.
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FEMA - FALE ESCRITOR MARANHENSE
O seu lugar é aqui!
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faleescritorma@gmail.com
@faleescritormaranhense (Insta).
Coordenação:
Déa Alhadeff: @deaalhadeff (Insta)
Ricardo Miranda Filho: @suplementoliterario (Insta)
Ozeas Carlos Ramos: @rascunho1966 (Insta)
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sábado, 17 de fevereiro de 2018

Permanência do mito de Inês de Castro

Permanência do mito de Inês de castro

A historiografia portuguesa do século XIV foi essencial para o crescimento da literatura portuguesa. A partir das crônicas de Fernão Lopes, houve o início de uma evolução dentro da escala literária devido à forma e linguagem utilizadas nas obras da época. Fernão Lopes soube, de forma coesa e coerente, usá-las de modo perspicaz aproximando fatos históricos e literários. A Crônica del-Rei D. Pedro foi o marco para a literatura da época e ainda permanece como mito devido à relação entre Inês de Castro e Pedro I, a qual causou alvoroço dentro dos palácios e da população que aceitava essa aliança.
O mito de Inês de Castro ainda permanece vivo até hoje sendo trabalhado e discutido em diversas áreas. Heberto Helder, no conto Teorema, fala sobre a obra através de uma visão mais crítica, contornando outra perspectiva em que a crônica partia do panorama de Fernão Lopes, aceitável para o contexto histórico: o homem tido como centro da cultura, implicando em condutas individuais e sociais para si mesmas. Assim, Helder reinventa a versão da obra por meio das tradições já postas pela história para suplantar “uma nação imaginada”, formando uma complexa analogia entre o “novo” - o conto de Helder - e o “antigo” – a tradição histórica portuguesa - por meio de artefatos literários, utilizando-se de relações explícitas, pacíficas e propositais a fim de expor o ponto de vista de outra personagem da crônica - Pero Lopes, um dos carrascos de Inês de Castro -, fazendo uma reflexão sobre a forma como se construiu e permaneceu a tradição do mito inesiano, a partir da utilização do Realismo Fantástico (elemento literário criado por Tzvetan Todorov), pois o conto é narrado por Pero Lopes após sua morte, o que indica que Heberto Helder intencionava recriar a poética do gênero a partir da realidade, ou seja, de acordo com as palavras de Todorov: “O gênero não possui realidade fora da reflexão teórica”, mas, como afirma, “toda obra pode ser considerada uma instância particular quanto a um gênero geral (sic), mesmo que este contenha apenas tal obra”.
Portanto, a versão de Pero Lopes mostra a tentativa deste, através de sua morte, em dar continuidade ao mito para que pudesse se perpetuar ao longo dos tempos, como se pode ver nesta passagem: “Senhor [...] agradeço-te a minha morte. E ofereço-te a morte de D. Inês. Isto era preciso para que o teu amor se salvasse”. Percebe-se que Pero Lopes visou à imortalidade da história entre Inês e D. Pedro, tendo este papel fundamental: “O que este homem trabalhou pela nossa obra!”. Assim, é notório que a personagem dá ao mito o conceito de reminiscência para a ideia de que esta mitificação deve se eternizar o relacionamento do casal, sobrepondo-o em relação à ordem cronológica da narrativa a fim de profetizar o amor entre Inês e Pedro que ressuscitará através de leituras e dos fatores literários (a recriação do enredo, por exemplo).
Heberto Helder intertextualiza a crônica de Fernão Lopes por meio de uma adjetivação no conto, como “rei louco [...]”, “gente bárbara e pura”, com o objetivo de contradizer o que está no enredo original, além de trabalhar com acentuações irônicas quando fala, por exemplo, que D. Pedro comeu o coração de Pero Coelho para enfatizar a vontade do povo, o que deduz serem típicos traços religiosos por se tratar do ato de autorrevivificação: há algo compartilhado e, ao mesmo tempo, subvertido, crescendo, portanto, a utilização textos-fontes no conto – sem a necessidade de deixá-los de lado –, como produções lendárias, bíblicas e ficcionais (“Cristo amou os homens com perfeição, completamente – seria o único amor de fato, como pregado por Padre Antônio Vieira, por que era eterno, sem porém ou condicionantes”), e da própria crônica de Fernão Lopes, em que também se encontram traços sobre as mesmas.
Entende-se que, por meio da paródia, Heberto Helder tenta fortalecer o preceito dado pela crônica, a qual mostra a verdadeira face dos soberanos, também passíveis de condutas errôneas, entretanto Helder parte a partir de outro olhar (a do carrasco Pero Lopes), pois, embora a Idade Média ainda estivesse em seus últimos anos durante o desenvolvimento da Crônica del-Rei D. Pedro, ainda havia certos ideais em voga, como a influência da Igreja Católica (mesmo que enfraquecida) em contraposição a ascensão do racionalismo humanista. Forma-se, então, um elo entre a paródia e a ironia como alicerce da “transcontextualização” entre o conto e a crônica, e que seria “[...] a reorganização do passado, sem excluir a crítica e a avaliação”. A utilização dos dogmas cristãos serviria como álibi para o condenado que, por meio da crítica ética e moral, consegue revirar a sua situação afirmando que seu ato foi praticado com a finalidade de modificar a feição do povo, motivo o qual faz se vangloriar por achar que este se elevou em relação aos outros povos.  Além disso, Pero passa a informação sobre o modo como a sociedade se relacionava com a religião cheia de hipocrisias e que enganava os fiéis sob qualquer preço: “Somos também um povo cheio de fé. Temos fé na guerra, na justiça, na crueldade, no amor, na eternidade. Somos todos loucos”. Este fato pode ser discutido também por meio do significado da palavra “teorema”, que, segundo a concepção grega, remete a divindade, a Deus; e segundo as raízes latinas, pode ser relacionada à verdade desejada. Assim, todo esse conjunto de conceitos é perceptível no cenário da morte de Pero Lopes e o qual é composta pela figura central que o rei representa - sentado numa posição privilegiada, como se fosse o juiz do caso – e que espera deleitar-se com o fim do julgamento.
Outros fatores ainda perpetuam o mito, como a avaliação crítica do passado e do presente mediante uma dinâmica cronologia histórica que reflete a “a complexidade das ações humanas ou das relações sociais que os engendraram”. Fazendo uma análise histórica e anacrônica, o caso entre Inês e Pedro ocorre durante o processo de navegação ultramarina que começa no período manuelino, em que se inicia o desenvolvimento da imprensa e produção de textos, e, consequentemente, garantia de liberdade de expressão e cultura em Portugal. Na época em que Heberto Helder escreve o conto Teorema, Portugal se encontra em um estado político diferente no qual vivia Fernão Lopes: começa um período de “recrudescimento da censura”, cujo contexto Heberto Helder justifica a realização de seu conto a partir do qual realiza uma crítica histórica a fim de dar um significado ao indivíduo português.
Desta forma, percebe-se que Heberto Helder tenta recriar a história através de uma analogia entre as diferentes épocas, mas assemelhando, por meio da ironia, duas pessoas notáveis em suas respectivas épocas: D. Pedro e Salazar, que, através da repressão, põem em prática a total censura e falta de liberdade ao povo. Então, Helder repreende o clima político vivido pela sociedade portuguesa em 1943, utilizando como exemplo a “marginal” personagem de Pero Lopes que passa pelo ato repressor de Pedro I em que este começa a crescer, porque lhe “comeu o coração”, e ainda mostra como este ato poderia perdurar durante a História e se recriar nela: “Somos ambos sábios à custa de nossos crimes e do comum amor à eternidade”.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Universidade de (a)conhecimentos?

Fazendo uma breve abordagem histórica da universidade, Clark Kerr afirmava que em 1520 mais de 85 das instituições que existiam na época, pelo menos 70 eram universidades. Com isso, as universidades se tornaram uma instituição de grande importância e têm-se observado os inúmeros conceitos e funções que se tem dado à mesma. Karl Jasper afirmava: “é o lugar por concessão do Estado e da sociedade uma determinada época pode cultivar a mais lúcida consciência de si própria”. Ou seja, tinha como função investir idéias; ser disponível para a educação do homem no seu todo, pois é um centro de cultura; ensinar e o mesmo ensino das aptidões profissionais deve ser orientado para a formação integral. Oterga y Gasset não ia muito além: transmissão de cultura; ensino das profissões; investigação cientifica e educação dos novos homens da ciência. Então, ocorre para a universidade uma multiplicidade de funções, diferenciadas pelo conhecimento de cada individuo, e a distinção entre as funções manifestas e funções latentes útil para analisar relações intersistemáticas entre o sistema universitário e o sistema de ensino superior, ou entre este e o sistema educativo, ou ainda entre e o sistema social global.
Há alguns que ainda tentam estabelecer uma estrutura organização mais desenvolvida e diversificada a fim de ampliar os pontos de saída para as universidades que a mantêm estabilizadas como devem. Assim, discorrem-se sobre a alta cultura, que é uma cultura-sujeito, e a cultura popular, que é uma cultura-objeto, objeto das ciências, da etnologia, do folclore, da antropologia cultural, ligeiramente transformadas em ciências universitárias. A tentativa do tratamento “democrático” das universidades causou uma explosão universitária, a alteração significativa da composição de classe do corpo estudantil, que se transformou numa classe pouco valorizada, por parte, e a ampliação dos quadros de docentes e investigadores possibilitaram a massificação das universidades e com ela, a vertigem da distribuição em massa da alta cultura universitária.
Outro tópico importante, que é a relação educação-trabalho, pondera sobre a dicotomia da relação entre educação e trabalho. É comprometimento de as universidades realizarem um trabalho intelectual qualificado, produto de uma formação profissional contemplada e implicando no oferecimento de uma correspondência estável ao mercado de trabalho, para fundir-se num processo produtivo ao qual o universitário se adapte. Apesar disso, é evidente que hoje as universidades não conseguem conter o controle da educação profissional, já que ocorreu uma massificação da quantidade dessas instituições que não produzem um trabalho rígido e que ofereça perfis profissionais qualificados. É de praxe toda universidade indicar que está de acordo com as normas exigidas através de dados. Entretanto, é notório que na prática esses dados são enganosos no que diz respeito ao desenvolvimento tecnológico, à transformação da ciência, enfoca produção, e das competitividades internacionais das economias, tópicos que não estão sendo realizados de acordo com base cientificamente fundados e sérios.
Pode-se afirmar ainda que a participação ativa da universidade perante a sociedade tem-se mostrado improdutivo, haja vista dois problemas de alto grau que são enfrentados pela instituição: a natureza da investigação básica e as virtualidades e limites da sociedade. O primeiro problema diz respeito ao aumento dos custos e a conversão progressiva da ciência em força produtiva que acabou por pôr em causa a própria validade da distinção entre a investigação básica e aplicada. Aplica-se ao fato de que as grandes empresas multinacionais abriram as suas próprias instituições universitárias e ao fato de que o Estado priorizou os incentivos fiscais às universidades e centros de maior rigidez nas investigações científicas e produtividades. A universidade se relaciona com a sociedade com uma incomensurável responsabilidade social perante os problemas do mundo contemporâneo. Não obstante, é raro essa obrigação ser cumprida e, por isso, as universidades são criticadas por não mobilizarem o conhecimento cientifico a favor dos problemas sociais.
A supremacia dessa universidade deve ser constituída pela validade da mesma e, portanto, da concordância consensual da sua essência institucional. Entretanto, vários fatores levaram a crise de sua legitimidade, devido à intensa separação entre as classes presentes na educação de ensino superior e na alta cultura, fatores que se mostraram visíveis socialmente. Este colapso institucional relaciona-se a falta de autonomia da universidade, devido a dois fatores problemáticos: a crise do Estado-Providência e a desaceleração da produtividade. O primeiro fator define-se porque o Estado tem passado de produtor de bens e serviços (escolas, por exemplo) para a de comprador de bens e serviços produzidos no setor privado. O segundo fator relaciona-se aos cortes que tendem a universidade a procurar meios alternativos de financiamento que dificulta a aparência adequada da autonomia da universidade e a sua responsabilidade social.

A hegemonia da universidade e a crise de sua legitimidade, ligadas aos fatores já argumentados, causaram a esta instituição uma avaliação de desempenho funcional que ocasionou estranheza e até hostilidade. Isso fez com que a universidade perdesse a sua centralização perante a sociedade. Por sua vez, a avaliação de desempenho funcional das universidades tem ocorrido com enormes dificuldades devido a três problemas principais: a definição do produto universitário, os critérios da avaliação e a titularidade da avaliação. E, sem estes, teríamos um quadro bem diferente se as universidades tivessem mais autonomia a fim de multiplicar os conhecimentos científicos beneficiando a sociedade com a massificação dos poderes hierárquicos e realizar a ascensão dos indivíduos. Um dos fatores mais plausíveis que se podem considerar como motivos da ocorrência desta situação é a perda de poder político e social para impor condições que garantam uma avaliação equilibrada e despreconceituosa do seu desempenho.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

O valor da poesia

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Não há como negar as dificuldades existentes para quem procura viver exclusivamente de poesia. Muitos, tentando não se dar contar, acabam esquecendo o grande valor que os textos poéticos possuem e sendo possível viver nesta área através de livros, sites, oficinas literárias e grandes eventos.
Há que não perceba os benefícios que a poesia pode ceder - como a diminuição do analfabetismo funcional, o melhor uso da língua e o aumento de conhecimento, por exemplo -, além de não tentar compreender como ocorre o trabalho de pessoas ligadas à área, apesar de muitos enfrentarem problemas sem dimensão para chegar em sua posição atual, como os jovens do grupo Geração Delírios que vendem - ou pelo menos tentam vender - seus poemas na entrada da Biblioteca Nacional e se sustentarem com o pouco que ganham. Mas, há quem já tenha passado por esse tipo de aperto e conseguido alcançar uma situação melhor, como poeta cearense de 65 anos, Mano Melo que já tomou parte da “geração mimeógrafo”, do grupo Ver o Verso, juntamente com Claufe Rodrigues e Pedro Bial, e já tendo publicado oito livros.
A formação de quem quer trabalhar com poesia é muito variável, tendo em vista que, nos dias atuais, há certo receio em trabalhar nesta área em virtude das constantes mudanças no mercado de trabalho na área. A exemplo disso, um fato triste ocorreu com a editora Cosac Naify em 2016 após fechar as portas em virtude da descaracterização da missão da empresa para poder suprir as necessidades e obrigações financeiras.
Em virtude disso, a literatura vive em virtude de ideologias que sempre influenciam a sua formação e produção. Constata-se isso, por exemplo, com critérios bem elaborados e discutidos por críticos deste tema. O individual e o coletivo, como diria Maurice Halbwachs, se coadunam em determinado ponto pois uma reflexão sobre algo não é feita sozinha, pois o pensamento pode ir de um grupo a outro, podendo haver desapego de um grupo em relação a outro.
Percebe-se, nesse sentido, que o pensamento individual e o social se diferenciam em certo ponto, mas podem aproximar-se em virtude de certas semelhanças e pontos em comum. Há, assim, que dizer que, na literatura, um grupo defende as mesmas ideias de produção literária e artísticas, contribuindo com a formação de um movimento literário, assim como ocorreu em toda a literatura brasileira desde a sua existência, a parti do Romantismo, primeiro movimento literário brasileiro propriamente dito.
A poesia, como qualquer outra manifestação cultural, tem seu valor que deve ser respeitado, pois retrata nada mais que a imaginação e a criatividade humana, pois a linguagem poética retrata a mensagem, pois, como afirma Jakobson, a linguagem poética é voltada para si mesma e é diferente da linguagem utilizada diariamente. Assim, é notório que haja uma diferença ou algo a mais no valor poético por trazer-nos algo a mais de conhecimento. A poesia, sim, tem seu valor, embora seja incomunicável em algumas situações ou nos comunique de maneiras diferentes, e sua contribuição para a sociedade pode vir de diferentes maneiras, como o desenvolvimento infantil no âmbito escolar.
Deve-se argumentar o que pode atrair novos escritores para nobre arte da literatura, haja vista as enormes dificuldades que desanimam qualquer um, fato que pode ocorrer em qualquer outra profissão. No entanto, o valor poético se encontra em qualquer setor de nossas vidas e nos ajuda a refletir sobre o algo a mais que a poesia cedo ao objeto descrito e sua essência, como defende Aristóteles. Todo esse conjunto de fatos me faz lembrar – nos faz lembrar (eu espero) – de forma crítica a situação cultural brasileira e me leva a concordar com os versos do livro “Rosas do Povo”, de Carlos Drummond de Andrade: “A poesia é incomunicável,/Fique quieto no seu canto./Não ame”.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Literatura Maranhense

A concepção da literatura maranhense se deu a partir do Romantismo no século XIX, mais precisamente em 1832 com a publicação do poema Hino à tarde, de Odorico Mendes. Pode-se dizer que a construção de uma ideologia na criação literária se deu no Brasil aos poucos, tendo em vista o processo civilizatório no país, além de ser importante analisar que o desenvolvimento do Brasil como país se deu de forma lenta, ocorrendo de fato em 1822 após a independência em relação à Portugal e após mais de três séculos de colonização.
Percebe-se, de certo modo, que a introdução e o desenvolvimento literários no país ocorreram bem devagar, a princípio, devido às primeiras produções locais não terem nenhum parâmetro artístico propriamente por partes dos escritores locais, mas apenas sobre o local. Pode-se afirmar que os escritores presentes no país no início de sua formação literária eram oriundos de Portugal, mas, mesmo assim, contribuíram para a produção artística da época, como afirma Joaquim Norberto de Sousa Silva: “os autores brasileiros começaram de aparecer no começo do século décimo, no meio da luta da invasão holandesa, que ainda hoje conhecemos pelo nome de ‘Guerra brasílica’”.
Argumenta-se, no entanto, que os primeiros escritos eram apenas sobre o Brasil, mas não foram perpetrados por brasileiros natos, ainda mais devido à literatura feita até então estar intrinsecamente ligada a Portugal, como se pode notar com os primeiros textos feitos no início do século XVI, que eram basicamente de viajantes como Pero Vaz de Caminha o qual apenas descreveu o que vira ao chegar a território até então desconhecido – além disso, esse tipo de texto era literatura de informação, ou seja, “são informações que viajantes e missionários europeus colheram sobre a natureza e o homem brasileiro”, e de produções feitas até início do século XIX com o advento do Romantismo em 1836, época até a qual a maioria dos escritores eram portugueses ou filhos de portugueses, mas nascidos no Brasil colônia, como era o caso de Gregório de Matos, que nascera na Bahia, mas tinha formação na Universidade Coimbra e, por isso, ainda discutia em seus textos assuntos muito atrelados à Portugal, embora negativamente como quando escrevia “contra algumas autoridades da colônia, mas também palavras de desprezo pelos mestiços e de cobiça pelas mulatas”.
Pode-se afirmar, portanto, que a literatura brasileira teve início com o Romantismo, o qual ocorreu com grande força no Maranhão, tendo sido nesta época em que houve uma imensa necessidade de se começar a escrever sobre aspectos propriamente nacionais com o objetivo de se construir uma identidade própria e sem aquela influência portuguesa que ainda havia nos séculos anteriores. A partir daí, começa-se a notar uma enorme produção literária acerca dos assuntos nacionais ao se destacar questões sobre as necessidades que havia em território brasileiro, a natureza e assuntos sócio-históricos, no entanto por meio de um olhar puramente romântico, cuja formação não foi diferente em território maranhense que teve escritores com grande importância para a formação literária local, como Gonçalves Dias, Sotero dos Reis, Sousândrade, Antonio Lobo, Odorico Mendes, entre outros nomes que compuseram as primeiras gerações de grandes escritores maranhenses, os quais, assim como na produção nacional, tentaram colocar na escrita algo que demonstrasse as características que os identificassem, ou seja, a intenção era formar uma literatura sem nenhuma influência externa, como vinha acontecendo até aquele momento na literatura brasileira.
Pode-se dizer, portanto, que o intento foi perpetrado em um momento que a economia maranhense estava no auge após São Luís ter sido escolhida como sede da Companhia do Grão-Pará e Maranhão, o que contribuiu com o recebimento do codinome Atenas Brasileira, pois este grande desenvolvimento econômico ajudou a cidade a obter um enorme crescimento literário com o surgimento de nomes importantes que formaram três grupos importantes: Grupo dos Maranhenses formado por Gonçalves Dias, Odorico Mendes, Joao  Francisco Lisboa, Sotero dos Reis, Sousândre e Maria Firmina dos Reis; Grupo dos Emigrados formado por Arthur Azevedo, Aluísio Azevedo e Raimundo Corrêa; e os Novos Atenienses formados por Antônio Lobo, Fran Paxeco, Nascimento de Morais, Viriato Corrêa, Humberto de campos, Maranhão Sobrinho.
Embora tivesse ocorrido um enorme desenvolvimento econômico com a produção de açúcar e algodão, no início do século XIX a economia maranhense entrou em queda “com a Abolição da Escravidão, em 1888, a queda da Monarquia e a derrocada da agroexportação”, o que ocasionou numa queda da produção literária no Estado. Deste modo, pretende-se, neste artigo, debater sobre a formação literária no estado do Maranhão.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Resenha: Projeto 94, do escritor Rodrigo Fonseca



Em seu livro Teoria do Romance, Georg Lukács afirma que “o romance é a forma da aventura do valor próprio da interioridade; seu conteúdo é a história da alma que sai a campo para conhecer a si mesma, que busca aventuras para por elas ser proada e, pondo-se à prova, encontrar a sua própria essência”. A partir desse comentário, Lukács pretendeu analisar a estrutura da obra e seu real valor literário, tendo em vista que a forma, às vezes, é rígida para a entrada de conteúdo, deste modo faz-se necessário a uma boa estruturação da obra a fim de proporcionar uma boa concatenação com os outros elementos do romance.
É desta forma que o livro Projeto 94 (Editora Arwen, 2017), do escritor Rodrigo Fonseca, é produzido ao apresentar de forma sucinta e agradável os elementos da narrativa literária. Seu livro conta a história de Jake que apresenta boa forma e sucesso nas corridas devido a sua enorme velocidade totalmente fora do comum. A partir disso, o enredo se entrelaça nas tentativas de Jake descobrir a origem de sua força e velocidade, além de ficar intrigado quando começa a sonhar com alguns elementos que podem ajudá-lo a entender seu caso.
A história também conta a relação conflituosa que Jake tem com seu pai desde a morte da mãe, o renomado cientista Evan Sturguess que é dono da Genetic Corporation. Ao passar da narração, algumas situações vão se conflitando com Jake, principalmente quando conhece outros cinco jovens envolvidos no Projeto 94 em genética, e um deles é Jennifer, que apresenta o poder de controlar a mente de outras pessoas. O romance é dividido em diversos capítulos que apresenta a narração e o ponto de vista de cada personagem, fato que contribui para chamar a atenção do leitor com a boa estrutura da obra que provavelmente terá um desfecho em uma sequência.
Estas são as obras publicadas ou que serão publicadas em 2018 pelo autor: Projeto 94 (Editora Arwen), Genes Letais (Constelação Editorial), Antologia Ninguém vai sobreviver (Constelação Editorial), Antologia Quando a escuridão bate à porta (Editora Sinna), Antologia Contos de A à Z, Antologia Bruxas - Da Sedução à Perdição e Antologia King Poe Lovecraft - Do terror ao horror (Editora Illuminare) e Antologia Carnivalle (Editora Skull).