quinta-feira, 7 de junho de 2018

O contemporâneo na literatura brasileira

Pode-se afirmar que o que se pode debater sobre a contemporaneidade é em relação aos novos modos de se fazer cultura, manifestações artísticas, tipos de linguagens e expressões literárias. As formas presentes na atualidade são modificações e desenvolvimentos das representações anteriores, ou seja, são novos modos de expor pontos de vistas próprios por meio de novos formatos. Os novos movimentos de arte e cultura dependem das novas formas de pensar e agir da atualidade, formas essas que são modos de recepção diferentes de outrora. Essas diferenças de recepção e atuação artísticas são discutidas com relação singular ao próprio tempo. Modificam-se a natureza, etapas e limites do conhecimento humano devido às mudanças no olhar do indivíduo, na crítica cultural.
O que se fala sobre esse aspecto de convergência é mais sobre narrações de experiência subjetivas como possibilidade de mudança dentro do aspecto das artes e como essas artes podem chegar ao consumidor havendo um mercado diferente de anos anteriores – mais uma vez fala-se sobre o tempo – e, logo, este mercado constitui “novos processos de transmissão do saber ou de possibilidade de entretenimento”. A produção do mercado nos traz coisas novas e isto nos propõe novas formas de pensar e ver a sociedade que se modifica com o passar do tempo.
Logo, o que podemos verificar com tudo isso é o fato de que um enorme fluxo de pensamentos nos permite acelerar a ruptura entre fronteiras de conteúdo: o novo e o antigo. Nos dias atuais, a mídia contribui para este processo acontecer de forma mais provisória, mais permanente, pois há influência na distribuição de pensamento, nos modos de manifestação artísticas.
Podemos ver que o ser contemporâneo se desmistifica, reconstrói-se com o passar do tempo e com o debate ideológico. O que hoje é contemporâneo do passado passa a ser arcaico para o futuro e deixa de ser novo. Esse processo aborda sobre uma singularidade do próprio tempo: uma relação entre elementos temporais que estabelecem um modo de exteriorizar o presente com a finalidade de se chegar ao ápice do pensamento humano e este constitui o novo: é o ver nas trevas o que ninguém consegue ver.
Fica claro que algo se torna contemporâneo por meio de uma relação entre tempo, ideologia e simbolismo que se transformam por meio do surgimento e aperfeiçoamento de novos olhares sobre a arte e a literatura (ou a cultura em geral). Portanto, é notório que o pensamento parte do princípio de uma necessidade de reflexões sobre o conhecimento e o objeto a ser conhecido, ou seja, a noção sobre as coisas tende a se desenvolver e a se modificar com o passar do tempo.
Provavelmente, o que mais se pretende saber é que tipo de conhecimento se daria a determinado objeto ou à determinada imagem em/de determinada época. Tenta-se saber se há mais algum conceito a ser retirado de tal reflexão. E é nesse ponto – nessa perspectiva – que percebemos que definir contemporâneo vai além de uma simples reflexão sobre o conhecimento: é toda uma ruptura – que leva tempo – de conhecimentos interligados com a cultura, a sociedade e o indivíduo.
A literatura brasileira passou por diversos moldes para ter o seu feitio de hoje. Logo, o que se pode ver no processo de construção literária e cultural é um processo que consiste “numa integração progressiva de experiência literária e espiritual, por meio da tensão entre o dado local (que se apresenta como substância da expressão) e os moldes herdados da tradição europeia (que se apresentam como forma da expressão). O início de uma consciência formou um país em que começou a ser possível a se ter modelos e características próprios, principalmente a partir dos anos 1900, em que o pós-romântico passa a dar espaço a uma literatura de cunho mais regional e, com isso, surgem modelos totalmente diferentes.
Durante essa evolução literária, pode-se perceber que, a partir de 1922 com o Modernismo, a cultura e a literatura feita no Brasil passou a ter caráter próprio e as antigas vanguardas europeias foram deixadas de lado, diferente da literatura feita entre os séculos XVII e XIX, quando a literatura estava muito atrelada as tendências que vinham da Europa, principalmente de Portugal.
É deste modo que se consegue abrir espaço para o novo, para o diferente. Na literatura, surgiu algo diferente a ser exposto, algo que fez o a produção literária conseguir um caráter mais próprio, ou seja, a ter um caráter mais nacional e de luta contra tendências de fora e, além disso, de cunho crítico (em vários sentidos). A formação de uma nova sociedade tende a constituição de algo que desmitifica o que pode ser último para uma nova geração.
É nesse sentido que podemos perceber uma literatura mais engajada a descobrir o novo e, deste modo, a nova estrutura literária torna-se mais “avançado”. Além disso, os novos meios de comunicação foram surgindo, fato que ajudou na formação de uma nova classe leitora e, consequentemente, em novas classes sociais que foram tento características próprias em sua cultura.
Entende-se que em toda a história de formação do ‘Brasil enquanto nação foi possível averiguar uma forte tendência a separação de classes e, por isso, através de revoluções sociais e culturais, o que foi possível surgir um conjunto enorme de produção literária com diferentes aspectos, características, termos, etc. É deste modo que o Brasil foi amadurecendo em diversos sentidos e, logo, foi se tornando uma grande potência em vários sentidos. O país foi se tornando mais contemporâneo em relação outros ao que se vira séculos passados, ou seja, foi se tornando menos arcaico.
As tendências que surgiam aos poucos foram tornando o Brasil um país novo, com sua própria feição: com uma cultura mais nacional. Assim foi em Macunaíma que tentou mostrar “como cada valor aceito na tradição acadêmica e oficial correspondia, na tradição popular, um valor que precisa adquirir estado de literatura”. Assim, definir o que é contemporâneo é algo vago: o que hoje é novo, amanhã não pode ser mais. É desta forma que as coisas mudam ao longo do tempo e, no Brasil, a partir da década de 1960, tentava-se mudar o cenário cultural e literário dentro de um processo autêntico e ideológico para formação de uma nação. Alfredo Bosi afirma que “o melhor da literatura feita nos anos de regime militar bateria, portanto, a rota da contra-ideologia, que arma o indivíduo em face do Estado autoritário e da mídia mentirosa”.
 Foi um momento em que se tentou procurar meios para que se elaborassem soluções através das quais se conseguisse reformas no modelo socioeconômico do país e, através desse modelo, permitisse a construção de um país sem impasses para o fim da desigualdade. É por meio desse ponto que se pode começar a falar sobre um novo molde social que inicia um tipo de avanço cultural devido aos questionamentos feitos ao que já estava imposto ao nosso modo de pensar e receber/dar as coisas. Com esse tipo de empecilho no Brasil, podemos averiguar que havia uma necessidade de extrema mudança no cenário vivido nessa época.  Esse cenário permitiu que a cultura se direcionasse ao mercado, já que a sociedade de esquerda aumentou devido à massificação de movimentos culturais que possuíam uma formação de discurso e movimento. É nesse sentido que podemos falar que o processo cultural brasileiro no século XX – época em que o Brasil começava a ter um cárter mais nacional em sua cultura e literatura – começou a se transformar e desdobrar a outro nível estético que, embora tivesse passado por uma censura a partir de 1964 com a promulgação do A.I.5, levou o país a ter perspectivas culturais e artísticas mais ligadas ao cenário nacional.
Qualquer tipo de produção era censurado no Brasil com o início do A.I.5. Por exemplo, a novela Roque santeiro foi feita em 1975 e publicada em 1985; o romance de Ignácio Loyola Zero foi publicado originalmente na Itália; o Poema Sujo, de Ferreira Gullar, foi publicado no Brasil primeiramente em uma gravação feita por Vinícius de Moraes. Pode-se verificar que o ponto crucial de mudança na literatura brasileira foi com o Modernismo na Semana de 22 e, a partir daí, nota-se uma grande evolução na criação cultural do país.  O Brasil passou por um novo processo de identidade na literatura que foi se intensificando e se modificando até chegar à década de 1960 em que houve mudanças mais fortes na cultura em geral em busca de força para questão de ordem em termos sociais, econômicos e políticos que se mostraram nas artes.  
O que se pode ver nesse sentindo são fortes mudanças artísticas que crescem nas obras literárias, diferentes para cada autor. Em Macunaíma, de Mário de Andrade, pode-se perceber que é forte uma descrição de identidade nacional e nesta obra são desenvolvidos “estereótipos desenvolvidos na sátira popular, atitudes em face do europeu”. Percebe-se uma forte ligação entre o ano em que o livro é publicado (1928) e o ano em que é lançado o filme (1969) por Joaquim Pedro de Andrade: a questão central é basicamente a mesma – a identidade do Brasil nas artes. Desde os pré-modernistas mais fortes, como Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Jorge Amado, podemos perceber essa questão de identidade na literatura, fato que se intensificou em uma tentativa de mostrar todo o potencial literário nacional, no entanto foi uma tentativa parada durante a ditadura militar, principalmente entre 1964 e 1974 em que houve forte censura, opressão e exílio.
Esses pontos podem nos ajudar a definir o que seria ser contemporâneo. Em 1968, com tamanha censura política no Brasil, começou-se a ter insatisfações que fizeram a sociedade agir de outro modo, não permitindo represália do governo. Assim, ser contemporâneo é analisar e compreender seu tempo atual para se distanciar criticamente do atraso presente e, deste modo, os aspectos os valores humanos evoluíam dentro do que é artístico e fora dele.

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