segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

A arte de escrever poesia (e literatura)


Inscrições para o V Festival Castro Alves de Poesia são prorrogadas!
A literatura sempre foi uma estrutura recheada de elementos que transfiguram toda uma sociedade em quaisquer momentos desde a sua origem. Fazê-la sempre foi um modo de passar ao papel o que as palavras ditas nem gestos poderiam transcrevê-las ou se fazerem entender. Entende-se que a cultura de um povo contribui com o entendimento acerca de certo assunto. Maurice Halbwachs assevera que a memória de um povo flutua de um grupo para outro, e nossas impressões contribuem para essa compreensão social.

A memória coletiva é similar a todos em determinado momento, ou seja, é natureza de ser social, enquanto, na base da lembrança individual, há um estado de consciência individual (intuição sensível), e essa conjunto de pensamento chegam a um ponto em comum que se configuram na literatura. Esse tipo de cultura age como um espelho da sociedade e por meio das palavras mostra como ela se envolve dentro de uma época.

A poesia, cuja necessidade é eminente, colabora com uma forma de passar ao outro a visão de mundo que cada poeta tem. É necessário verificar que a arte poética - desde Aristóteles - auxilia com a compreensão de uma sociedade. O Romantismo brasileiro nos mostrou, em suas diversas gerações, as belezas íntimas do ser e da natureza - como na lírica de Gonçalves Dias - e até mesmo uma fase mais real - como a escrita condoreira de Castro Alves que contribuiu para o surgimento do Realismo no país algum tempo depois.

O que mais pode fazer a poesia além de passar a outrem um sentimento que pode nos dar afago, conforto ou até mesmo nos deixar mais vivos? A poesia - a literatura como um todo também - instrui ou agrada ou instrui agradando? Existem, é claro, diversos pontos de vistas acerca do modelo literário e da função literária, pois há diversos conhecimentos sobre o modelo literário e a função literária de acordo com a época (humanismo, romantismo, etc.), embora cada um sirva de ponte ou base para o próximo momento da criação literária.

O que a literatura pode nos transmitir? A literatura por si só é um modo de referencialidade, de intertextualidade entre o escritor, o leitor, a sociedade a obra. Essa relação demonstra como há uma grande contribuição com e para a ideologia da época de acordo o contexto literário e social. A literatura é inovação do pensamento, um pedaço e a representação do mundo.

Seja Literatura em 2020.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

RESENHA DE LIVRO: Ainda não te disse nada, de Maurício Gomyde

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GOMYDE, Maurício. Ainda não te disse nada. Florianópolis: 2019, Editora Qualis.

A Literatura tem se mostrado cada vez mais capaz de discorrer sobre os mais diversos assuntos. A qualidade da escrita evolui ainda mais com o crescimento da paixão pela escrita que muitos adquirem com o tempo, e os escritores têm persistido muito na literatura como forma de crítica, debate sobre os assuntos de sua realidade.

A persistência em continuar neste setor tão importante da sociedade tem colocado em grande destaque. É assim que Maurício Gomyde aparece: com sua grande criatividade para a escrita, em seu último livro (Ainda não te disse nada, publicado em 2019 pela editora Qualis) mostra que a literatura nos prova o quão é necessário perseverar na profissão de escritor.

O livro conta a história de Marina Albertini, descendente de italianos que vai morar em São Paulo com o sonho de estudar moda e se tornar uma grande estilista. Enquanto não alcança seu objetivo, começa a trabalhar em uma agência de correios onde conhece o projeto "Anjo Carteiro" que tem o intuito de receber cartas de idosos que perderam contato com algum amor do passado e responder como se fosse o remetente original. Em uma dessas cartas, Marina acaba recebendo a de Heitor que tenta entrar em contato a sua "Amada Eterna". As trocas de mensagens duram cerca de um ano, Marina decide ir encontrar com Heitor - que mora em Porto, Portugal.

O fim da história é surpreendente. O livro tem uma leitura simples e leve, mas sem tirar o mérito da construção do enredo, que possui diálogos que chamam a atenção do leitor, tornando-o insaciável por saber como será o desfecho da história.

A crítica, a meu ver, do livro discorre sobre um meio de comunicação que poucas pessoas utilizam hoje dia, a carta, por meio da qual se torna mais fácil saber o sentimento detrás de uma escrita com o objetivo tratado na história: amor.

Aproveite e leia Ainda não te disse nada, de Maurício Gomyde.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

RESENHA DE FILME: Meia-noite em Paris

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As diversas manifestações artísticas/culturais nos mostram como é ampla a forma de colocarmos nossos sentimentos e, consequentemente, nos expressarmos o que não conseguimos dizer falando. Há ainda a opção quando uma arte fala sobre a criação em outra, sua forma de expressão e inspiração durante o processo de desenvolvimento. Seria uma espécie de metalinguagem: a arte falando da própria arte.

Isso ocorre no filme Meia-noite em Paris (2011), comédia romântica dirigida por Wood Allen. O enredo do filme conta a história de Gil Pender (Owen Wilson) que faz uma viagem com a sua noiva Inez (Rachel McAdams)  para acompanhar os pais dela John (Kurt Fuller) e Hellen (Mimi Kennedy) que estão indo a negócio. O tema central se desenrola na crise de identidade de Gil que quer sair da área cinematográfica em Hollywood, onde já faz muito sucesso, e se tornar um escritor renomado de romances.

Gil e Hellen começam a fazer alguns passeios pela cidade e em um deles encontram Paul e Carol Bates (Michael Sheen e Nina Arianda) que o acompanham em um desses passeios em pontos turísticos parisienses. No entanto Gil começa a ficar meio irritado quando Hellen começa a subestimá-lo e compará-lo com Paul. Gill passa a não os acompanhar em alguns passeios e acaba andando sozinho pelas ruas de Paris. Em algumas dessas andanças, faz algumas "viagens" em que se teletransporta para a Paris de 1920 e acaba conhecendo alguns intelectuais que ele tanto estima, como Ernest Hermingway, Scott e Zelda Fitzgerald, Salvador Dali, Pablo Picasso, Gertrude Stein, a qual lhe dá grandes conselhos para continuar o seu romance.

Nessas contínuas viagens, Gil acaba conhecendo Adriana (Marion Cotillard). A cada encontra e conversa que os dois têm, a atração e o amor só aumentam e acabam se beijando. No ápice da relação, Gil e Adriana acabam tendo uma viagem para a Paris do século passado, época que ela achava a melhor, o que acaba com o fim do relacionamento.

Ao voltar para Paris do século 20, Gil recebe a última crítica de Gertude sobre o seu livro e acaba tendo uma epifania que revela o personagem principal ser o próprio Gil, uma espécie de autoficção que revela as ansiedades de Gil pelo não pertencimento de sua época.

O fim do filme mostra a discussão sobre o relacionamento entre Gil e Hellen que o traiu com Paul enquanto Gil estava em uma de suas viagens. Gil acabando permanecendo em Paris para ter uma nova vida.

A meu ver, a forte crítica do filme é sobre a nossa visão de que a nossa época não é tão boa quanto a anterior. Zygmunt Bauman falava muito dessa perspectiva sobre o tempo em que vivemos em uma angústia, queremos sempre mais e o mais rápido possível. Tempos pressa para viver, mas não temos uma vida plena. Como dizia Bauman: “os tempos são líquidos porque, assim como a água, tudo muda muito rapidamente. Na sociedade contemporânea, nada é feito para durar”.



por Ricardo Miranda Filho
@suplementoliterario
@ricardomiranda9090

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Um Olhar Sobre a Historia - A Educação na Antiga Roma (parte 2)



Olá suplementistas literários. Hoje vamos continuar estudando sobre a educação na Antiga Roma.

A educação romana era dividida em níveis, iniciando no ensino primário e chegando ao ensino superior. Como já mencionado, os jovens abastados tinham amplo acesso à educação. No ensino primário, assim como os mais humildes, aprendiam o básico do latim e das operações matemáticas. Já o “ensino médio” e o ensino superior eram voltados para o domínio da composição literária, com destaques para a gramática do latim, a poesia e a literatura de forma geral. Especificamente o ensino superior privilegiava a formação para uma boa oratória, a partir de matérias que instrumentalizavam os alunos para eloquência e para atuação em tribunais. Isso se dava porque os homens das classes mais altas eram destinados à vida pública, a partir da atuação tanto no direito como na política. Por isso, precisavam defender ideias de forma consistente e clara. Outro traço importante da educação recebida era a formação para a arte militar, destinada ao comando de tropas. Assim, eram formados para atuarem diretamente na vida pública.

E quanto aos intelectuais da época? Podemos citar Plutarco, professor e escritor de origem grega, pensava a educação a partir da valorização da família, da música e da beleza, sem esquecer a formação moral. Plutarco deu uma notável contribuição para a integração das duas culturas, a grega e a latina, e influenciou, sobretudo, a literatura e a educação dos séculos seguintes. Os pais, segundo Plutarco, deveriam educar seus filhos a partir de modelos, para que a educação alcançasse êxito, os pais precisavam dar a seus filhos o exemplo de moderação e do fiel cumprimento dos deveres.

Outro representante da pedagogia romana foi Sêneca, o preceptor de Nero. A educação para ele deveria ser prática e guiada pelo exemplo, a filosofia teria a função de ensinar a vida humana verdadeira, afastada dos prazeres pessoais.

E qual seria a influência dos romanos em nossos dias? A que mais sentimos em nossos dias é a língua. O português, francês, espanhol, italiano e romeno são derivados do latim, não o culto, mas o popular, falado pelos homens e mulheres comuns das diversas partes do Império.

Mesmo de forma resumida, podemos estudar um pouco sobre as grandes civilizações antigas, até mesmo as clássicas, e vemos certas influências em nossos dias. Mas, no próximo post, veremos a educação em uma época que chamamos de Idade Média (erroneamente chamada de “Idade das Trevas”), quebrando alguns “conceitos” que temos da mesma.

Por Vanessa Elisa 
Instagram @van120893

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

RESENHA DE LIVRO: Sob o sol do equador, de Antonio Carlos Lima

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LIMA, Antônio Carlos. Sob o sol do equador. São Luís: Edições AML, 2019.

As crônicas maranhenses apresentam diversas formas de apresentar a qualidade da escrita sobre diversos temas e ao longo de sua existência nos presenteou com grandes escritores. Um deles é Antonio Carlos Lima que lançou em 2019 Sob o ol do equador sob os cuidados da AML (Academia Maranhense de Letras).

Jornalista em O Estado do Maranhão, Antonio Caros Lima publica uma coletânea de crônicas divulgadas nesse jornal. Com um olhar crítico muito aguçado, o cronista consegue descrever e analisar vários temas importantes, como a História e a Literatura Maranhenses, citando nomes importantes, como João Lisboa, Aluísio e Arthur Azevedo, Nauro Machado, Joaquim Serra. 

Sob o sol do equador é um excelente exemplar de qualidade literária que merece ser lida devido a retratar cenas importantes da história e da literatura maranhense e brasileira, embora tenha alguns relatos sobre a vida de Antonio Carlos Lima. Ao falar da importância do epíteto nacional dado à produção literária do Maranhão, o cronista soube analisar e descrever assuntos importantes sobre a cultura local que muito merece a ser discutida por sua grandiosidade.

Com uma linguagem bem acessível e agradável de se ler, Lima fala, criticamente, sobre algumas situações quase esquecidas por nossa sociedade:

O símbolo, porém, perde o sentido do tributo coletivo, quando, ao tempo em que celebra a reedição histórica do livro, a sociedade maranhense consuma a destruição de  parte da memória do escritor. Pois que se trata de inominável agressão à memória de Aluísio Azevedo, à história do Maranhão e do Brasil, a semidestruição, sob a indiferença da população, do casarão de azulejos da Rua do Sol onde viveu o escritor e em cujo mirante escreveu justamente O mulato. (p.26)

Sem sombra de dúvida, Sob o sol do equador é uma leitura obrigatória aos amantes da literatura e aos estudiosos das letras.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

DICAS DE EVENTOS CULTURAIS

SÃO LUÍS

LIVRARIA AMEI - ASSOCIAÇÃO MARANHENSE DE ESCRITORES INDEPENDENTES

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RIO DE JANEIRO

LIVRARIA DA TRAVESSA

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Livraria da Travessa - Shopping Leblon
Dia: 13/12/2019
Horário: 19h às 22h


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SÃO PAULO

LIVRARIA CULTURA

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SALVADOR

LIVRARIA CULTURA

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RESENHA DE LIVRO: Espirais da gente, de Silvana Dualibe

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(DUALIBE, Silvana. Espirais da gente: crônicas. 1ª edição. São Luís: Clara editora, 2019)

Na Literatura, existem diversos tipos de gêneros textuais que abordam diversas temáticas de acordo com sua estrutura e local de publicação, além do objetivo principal de quem escreve. A crônica, por exemplo, hoje em dia está presente em diversos jornais e revistas, mas também podem ser vistos em sites, blogs e livros. De um modo geral, há vários assuntos abordados, desde os problemas voltados ao cotidiano da cidade ou outro local mais próximo do cronista até problemas um pouco mais sérios, no entanto está mais voltado para retratar um cenário urbano e eventos que nele ocorram.

A crônica é escrita e descrita por meio de uma linguagem coloquial sem perder a qualidade da escrita e da temática. Um bom cronista consegue ter aquela capacidade de perceber pequenas, mas boas impressões de fatos que o cercam, e conseguir passar isto ao papel de forma sublime e com excelência é algo para poucos. Como disse Carlos Drummond de Andrade: "Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma possibilidade de as ver de qualquer outra maneira." É possível ver deste modo como Silvana Dualibe lança seu livro de crônicas Espirais da gente, lançado recentemente na livraria AMEI - Associação Maranhense de Escritores Independentes.

Apresentando uma capacidade de interpretação e análise sobre fatos do cotidiano - fora o grande conhecimento de vários assuntos como literatura -, a cronista nos mostra uma escrita leve e boa se de ler, sendo capaz de mostra quaisquer sentimentos que sejam - dela, de alguém próximo ou de algum desconhecido, mas mostrando qualidade literária.

O que diria Nelson Rodrigues  sobre os espirais da gente? Talvez: "O que mais me importa são os atos, e mais que os atos, os sentimentos. É a alma que está em questão."  A necessidade de falar, a meu ver, sobre os sentimentos humanos nos tornam cada vez mais vívidos e com contante vontade de falar e ler sobre os mais diversos assuntos que norteiam o comportamento humano. Silvana apresenta em seus textos uma liberdade poética e estética ao saber com excelência descrever as coisas e as pessoas que a arrodeiam, e esta qualidade é para pouco e para quem gosta de questionar. Seguindo o que dizia Clarice Lispector: "Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta, continuarei a escrever."

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

RESENHA DE FILME: SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS

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Muitos filmes são feitos com o intuito de nos trazer grandes ensinamentos para o resto de nossas vidas, cabendo a nós mesmos colocá-los em práticos como melhor desejarmos. A grande pressão que nos é imposta acaba por nos colocar em dilemas constantes, seja na vida pessoal, seja na profissional (antes dela, acadêmica). O filme Sociedade dos poetas mortos, dirigido por Peter Weir, nos traz uma bela lição: aproveitar nossas vidas ao máximo realizando nossos sonhos.
O filme fala sobre John Keating (Robin Williams) que, em 1959, passa a lecionar Literatura na escola onde fora aluno, a Academia Welton (EUA) conhecida por sua firmeza no ato de ensinar. A escola é muito conhecida por possuir quadro pilares importantes: tradição, honra, disciplina e excelência. É com esses termos que as aulas são e seguindo um formato tradicional em que o professor é detentor de todos o conhecimento e não interage informalmente com seus alunos, considerados "tábulas rasas" e sem o direito de opinar.
O professor Keating chega para mudar este paradigma e passa a colocar seus alunos a pensarem por si próprios, além de fazê-los seguirem seus próprios sonhos de vida e profissão, em uma época em que, na maioria das vezes, a carreira era decidida pelos pais e/ou por certa "conveniência" social/familiar.


"Carpe diem. Aproveite o dia, meninos. façam suas vidas extraordinárias."


Este era o principal lema deixado por Keating aos seus alunos - compostos apenas por garotos na Academia Welton, seguindo a tradição da escola. Um de deus alunos, Neil Perry (vivido por Robert Sean), fica intrigado com o trabalho do professor e começa a pesquisar sobre seu passado. No fim da pesquisa, descobre que Keating participou de uma reunião de ex-alunos conhecida por "Sociedade dos Poetas Mortos", assim o aluno questiona o professor com o objetivo de saber como funcionava e colocá-la em prática com seus amigos: a organização dos alunos objetivava trocar de conhecimento literário e ainda recitais de poemas, o que era incentivado pelo professor.
O apoio dado pelo professor Keating era tão intenso que os alunos começaram a criar mais confiança em si mesmos e "pensar" por si próprios. Um dos pontos cruciais do filme foi quando Neil Perry decide tornar-se ator de teatro, contrariando a vontade do pai que desejava que o filho se tornasse médico. O fim do adolescente acaba se tornando trágico.
Este é um filme muito bem produzido e dirigido, fora que o elenco é excelente e conseguiu trabalhar com excelência um tema muito importante: a Educação. Além disso, a temática de Sociedade dos Poetas Mortos ainda é muito atual, haja vista a educação é algo que deve ser colocado sem um contínuo desenvolvimento atendendo sempre a produção dos conhecimento com o objetivo de o aluno saber fazê-lo por si só e adquiri-lo não apenas para o meio acadêmico e modo mecanizado, mas por toda sua vida pessoal.


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Por Ricardo Miranda Filho (@suplementoliterario - @ricardomiranda9090)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

COLABORADORES DO BLOG SUPLEMENTO LITERÁRIO

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Conheça um pouco sobre os colaboradores do blog e o que cada um escreve em seu respectivo dia de publicação.



Ricardo Miranda Filho nasceu em São Luís, Maranhão. Em 2015, formou-se em Letras - Bacharelado em Produção Textual - pela PUC-RJ e pós-graduou-se em Língua Portuguesa e Literatura pela Faculdade Santa Fé (São Luís/MA) em 2017. É poeta, escritor, revisor de texto e criador da página Suplemento Literário. Seu primeiro livro (um conjunto de poemas) já registrado pela Biblioteca Nacional é intitulado Verbalizando o amor.
  • Instagram: @ricardomiranda9090 - @suplementoliterario - @letrasdomaranhao
  • Twitter: @jricardomiranda - @suplementol
  • Facebook: Ricardo Miranda Filho - Suplemento Literário - Letras do Maranhão
  • Coluna: Literatura (segunda-feira), resenha de livro e dicas de eventos culturais (sexta-feira)

Vanessa Elisa nasceu em Mauá, São Paulo, e atualmente é estudante de História (bacharelado) pela Faculdade Estácio de Sá.
  • Redes Sociais: @van120893 (Instagram) e @ElisaMaganha (Twitter)
  • Coluna: História (terça-feira a cada 15 dias)

Beatriz Santos é escritora e apaixonada por literatura.
  • Redes sociais @roendopaginas e @beatrizsantos.autora (Instagram)
  • Coluna: Resenha de filme (quinta-feira a cada 15 dias)

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Um Olhar Sobre a História - A Educação na Antiga Roma

Olá suplementistas literários! Hoje daremos sequência a nossa série da História da Educação falando sobre um dos maiores Impérios que a História já viu: o Império Romano.

Antes de iniciarmos as nossas considerações, é preciso lembrar que a história de Roma está dividida em três períodos: a Realeza, a República e o Império. Foi no período Imperial que a educação ganhou mais relevância, houve um incentivo às artes, inúmeras bibliotecas foram criadas e os romanos se apropriaram de inúmeros manuscritos encontrados nas regiões encontradas. O ensino superior também surgiu na época do império com os cursos de Filosofia, Retórica e Direito.

E como era a educação? Bom, a família tinha grande importância na formação da criança romana que até os sete anos permanecia apenas sob os cuidados da mãe e, após esse período, o pai se encarregava pessoalmente da educação do filho e as meninas eram educadas para os trabalhos domésticos. As crianças romanas vivam reclusas no âmbito da vida familiar e, em geral, brutalizadas e submetidas ao duplo regime do medo do pai e da orientação ética da mãe.

A educação era elitista e objetivava formar o sujeito racional, capaz de pensar de modo correto e expressar-se de maneira convincente, dando maior ênfase no estudo da retórica. Os romanos adotavam uma postura mais pragmática, voltada para as atividades cotidianas e para a ação política. Assim como a filosofia, a pedagogia em Roma também estava voltada para questões práticas.

Os plebeus pouco tinham acesso à educação formal e por isso cresciam sem formação, não aprendendo a ler nem a escrever. As filhas dos homens e mulheres abastados também frequentavam a escola, porém tinham direito a um conhecimento mais restrito. Em seu currículo escolar aprendiam lições básicas de cálculo, de leitura e de escrita e frequentavam a escola somente até os doze ou treze anos de idade, quando eram dispensadas e liberadas para os casamentos.

Por enquanto queridos leitores, ficaremos por aqui, pois ainda veremos como a educação romana era dividida em níveis e como ela influencia nos dias atuais. Também veremos alguns importantes intelectuais da época. Até lá!


por Vanessa Elisa

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Resenha de livro: La Lune, de Lorena Silva



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A Literatura Maranhense Contemporânea tem mostrando um conjunto de grandes e jovens escritores que desde muito cedo alcançam a excelência na arte escrever, sobressaindo-se na criatividade na criação literária. Ludovicense, Lorena Silva - membra da Associação maranhense de Escritores Independentes (AMEI) - se sobressaiu ao lançar seu primeiro romance "La Lune", publicado há pouco tempo de forma independente.


A escrita começou em 2014 quando lançou a primeira edição pela editora Multifoco. Desde então, tem-se dedicado à produção de textos para publicar na plataforma Wattpad, muito útil para muitos escritores que pretendem começar a carreira de escritor. 

O romance "La Lune" conta a história da personagem Seraphine, cuja vida sempre foi uma indecisão. O enredo se iniciar ao contar a vida da protagonista que foi parar em orfanato cuja proprietária sempre a tratou como filha. Após chegar a uma idade avançada e complicada para ser adotada, Adrian - dono do clube La Lune na cidade de Downville - se torna guardião de Seraphine que, algum tempo depois, começa a trabalhar para ele como dançarina no clube. Bonita e talentosa, percebe-se que começa haver um clima entre os dois personagens, no entanto algumas complicações começam a surgir, principalmente devido à inveja de outras dançarinas, como Lara Lovely que a aborrece constantemente.

A vida de Seraphine se torna ainda mais complicada com a chegada Ian, um jovem estudante de Psicologia que começa a morar no apartamento ao lado do dela. A partir daí, alguns segredos sobre o passado de Adrian aparecem, e a relação entre guardião e dançarina fica um pouco balançada. A trama é tão bem escrita, assim como os diálogos e o perfil dos personagens, que o leitor acaba se tornando insaciável e ansioso para saber o final do livro - algo totalmente surpreendente.

"La Lune" é, de fato, um livro que merece ser lido - e colocado de cabeceira - devido à sua grande mostra de inteligência literária, o que mostra a força e a capacidade de a escritora se tornar cada vez alguém de sucesso na profissão.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

DICAS DE EVENTO CULTURAL (29/11 a 05/12/2019)

SÃO LUÍS

TEATRO ARTHUR AZEVEDO
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LIVRARIA AMEI - ASSOCIAÇÃO MARANHENSE DE ESCRITORES INDEPENDENTES

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SÃO PAULO

LIVRARIA SARAIVA

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LIVRARIA CULTURA

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Resenha de livro: Um carinho na alma, de Bráulio Bessa

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A poesia ainda vive e persiste na literatura brasileira contemporânea como modo de purificação e de mostrar os sentimentos e questionamentos acerca de vários assuntos que cercam o poeta. A necessidade da poesia faz forte quem a faz e demonstra que há uma enorme forma de descrevê-la e vivê-la.
Há sempre alguém que se destaque na poesia brasileira atual e uma dessas pessoas é o poeta Bráulio Bessa que iniciou sua carreira fazendo sucesso na internet e depois ganhando um quadro fixo no programa na Rede Globo. Desde seu primeiro livro lançado, Bessa mostrou sua grandiosidade na poesia, o que só melhorou ao longo dos anos. Em seu livro "Um carinho na alma", não foi diferente e o poeta continua conquistando mais leitores devido à sua escrita inteligente. O livro debate diversos temas, desde a amizade, o amor e a esperança até temas mais fortes e críticos, como a seca, a injustiça e a falsidade. O livro ainda traz relatos de sua vida e de sua infância quando mora em Alto Santo, no Ceará, além de suas experiências na poesia.


O LUGAR EM QUE NASCI E FUI CRIADO

Viajei em meu carro de madeira
na estrada que o tempo projetou.
O menino aqui dentro me guiou
e a saudade foi a minha passageira.
De repente avistei uma porteira
com a placa: Bem-vindo a seu passado.
Nessa hora o meu peito acelerado
pisou forte no freio da lembrança.
Tem pedaços do meu tempo de criança
no lugar em que nasci e fui criado. (p.30)


FOME DE EDUCAÇÃO

Até quando o Brasil vai suportar
ver seu povo carente de saber,
tanta gente sem ler, sem escrever,
sem escola descente pra estudar, 
pois até a merenda escolar
alimenta a tal corrupção.
Num lugar em que tudo dá no chão
na escola deveria ter fartura.
Um país desnutrido de leitura
só se salva comendo educação. (p.109)


O SILÊNCIO DO MAL

O mal é silencioso,
se esconde pra lhe encontrar.
Muitas vezes é discreto 
e não costuma gritar.
A voz da maldade é baixa
mas Deus consegue escutar. (p.113)


A poesia de Bráulio Bessa é simples, mas intensa e bem escrita, mostrando que a poesia é necessária e faz, como o título do livro sugere, um carinho na alma, o que intensifica cada vez mais sua fama de exímio poeta e cordelista. A leitura leve nos faz acalmar o espírito e o coração, nos leva a entender o valor e a beleza de se escrever poesia em um mundo tão agitado quanto o atual.


Morreu Maria Preá

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Um Olhar Sobre a História- A Grécia Antiga- A Mitologia Grega

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Olá suplementistas literários. Hoje vamos falar sobre um tema que todos nós conhecemos. Na verdade, não acredito que exista uma única pessoa que já não tenha ouvido alguma história ou sobre algum deus da Mitologia Grega.

Citando o autor de “O Livro da Mitologia”, Thomas Bulfinch, “sem o conhecimento da Mitologia, boa parte de nossa elegante Literatura não pode ser compreendida e apreciada”. Bom, talvez não pegamos realmente um livro de Mitologia e o lemos, porém provavelmente já lemos algum livro que possui elementos da Mitologia. Já ouviu falar de Percy Jackson ou até mesmo uma das séries mais famosas, Harry Potter? Ou podemos citar as grandes epopeias Ilíada e Odisseia. Ou até mesmo na música. A lenda de Ícaro, por exemplo, é retratada em uma das músicas de uma das bandas mais famosas do heavy metal, Iron Maiden, a canção Flight of Icarus. Pois é, meu querido leitor, a Mitologia Grega está mais próxima de nós do que imaginamos.

Mas o que seria Mitologia? A Mitologia é o estudo de mitos, lendas e a interpretação dos mesmos em alguma cultura. Os mitos geralmente retratam o mundo como ele era antes de o conhecermos. Podemos conhecer muito da cultura grega por meio dessas lendas. Por exemplo, você provavelmente já ouviu falar algo sobre a lenda do Minotauro. O estudo dessa lenda nos ajuda a entender a influência da cultura cretense sobre a grega.

Algo interessante sobre os deuses gregos: eles tinham características e sentimentos humanos, sendo capazes de ajudar ou prejudicar os humanos, mas, diferente dos humanos, eles eram imortais.

Podemos ficar horas discutindo a mitologia grega, realmente ela nos fascina, porém existem outras culturas que são tão interessantes quanto a grega e que ficarão para serem discutidas nos próximos posts. Na nossa próxima conversa, veremos sobre a educação na Antiga Roma. Até lá!


por Vanessa Elisa

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Um pouco sobre a literatura maranhense


A concepção da literatura maranhense se deu a partir do Romantismo no século XIX, mais precisamente em 1832 com a publicação do poema Hino à tarde, de Odorico Mendes. Pode-se dizer que a construção de uma ideologia na criação literária se deu no Brasil aos poucos, tendo em vista o processo civilizatório no país, além de ser importante analisar que o desenvolvimento do Brasil como país se deu de forma lenta, ocorrendo de fato em 1822 após a independência em relação à Portugal e após mais de três séculos de colonização.

Percebe-se, de certo modo, que a introdução e o desenvolvimento literários no país ocorreram bem devagar, a princípio, devido às primeiras produções locais não terem nenhum parâmetro artístico propriamente por partes dos escritores locais, mas apenas sobre o local. Pode-se afirmar que os escritores presentes no país no início de sua formação literária eram oriundos de Portugal, mas, mesmo assim, contribuíram para a produção artística da época, como afirma Joaquim Norberto de Sousa Silva: “os autores brasileiros começaram de aparecer no começo do século décimo, no meio da luta da invasão holandesa, que ainda hoje conhecemos pelo nome de ‘Guerra brasílica’”.

Argumenta-se, no entanto, que os primeiros escritos eram apenas sobre o Brasil, mas não foram perpetrados por brasileiros natos, ainda mais devido à literatura feita até então estar intrinsecamente ligada a Portugal, como se pode notar com os primeiros textos feitos no início do século XVI, que eram basicamente de viajantes como Pero Vaz de Caminha o qual apenas descreveu o que vira ao chegar a território até então desconhecido – além disso, esse tipo de texto era literatura de informação, ou seja, “são informações que viajantes e missionários europeus colheram sobre a natureza e o homem brasileiro”, e de produções feitas até início do século XIX com o advento do Romantismo em 1836, época até a qual a maioria dos escritores eram portugueses ou filhos de portugueses, mas nascidos no Brasil colônia, como era o caso de Gregório de Matos, que nascera na Bahia, mas tinha formação na Universidade Coimbra e, por isso, ainda discutia em seus textos assuntos muito atrelados à Portugal, embora negativamente como quando escrevia “contra algumas autoridades da colônia, mas também palavras de desprezo pelos mestiços e de cobiça pelas mulatas”.

Pode-se afirmar, portanto, que a literatura brasileira teve início com o Romantismo, o qual ocorreu com grande força no Maranhão, tendo sido nesta época em que houve uma imensa necessidade de se começar a escrever sobre aspectos propriamente nacionais com o objetivo de se construir uma identidade própria e sem aquela influência portuguesa que ainda havia nos séculos anteriores. A partir daí, começa-se a notar uma enorme produção literária acerca dos assuntos nacionais ao se destacar questões sobre as necessidades que havia em território brasileiro, a natureza e assuntos sócio-históricos, no entanto por meio de um olhar puramente romântico, cuja formação não foi diferente em território maranhense que teve escritores com grande importância para a formação literária local, como Gonçalves Dias, Sotero dos Reis, Sousândrade, Antonio Lobo, Odorico Mendes, entre outros nomes que compuseram as primeiras gerações de grandes escritores maranhenses, os quais, assim como na produção nacional, tentaram colocar na escrita algo que demonstrasse as características que os identificassem, ou seja, a intenção era formar uma literatura sem nenhuma influência externa, como vinha acontecendo até aquele momento na literatura brasileira.

Pode-se dizer, portanto, que o intento foi perpetrado em um momento que a economia maranhense estava no auge após São Luís ter sido escolhida como sede da Companhia do Grão-Pará e Maranhão, o que contribuiu com o recebimento do codinome Atenas Brasileira, pois este grande desenvolvimento econômico ajudou a cidade a obter um enorme crescimento literário com o surgimento de nomes importantes que formaram três grupos importantes: Grupo dos Maranhenses formado por Gonçalves Dias, Odorico Mendes, Joao  Francisco Lisboa, Sotero dos Reis, Sousândre e Maria Firmina dos Reis; Grupo dos Emigrados formado por Arthur Azevedo, Aluísio Azevedo e Raimundo Corrêa; e os Novos Atenienses formados por Antônio Lobo, Fran Paxeco, Nascimento de Morais, Viriato Corrêa, Humberto de campos, Maranhão Sobrinho.

Embora tivesse ocorrido um enorme desenvolvimento econômico com a produção de açúcar e algodão, no início do século XIX a economia maranhense entrou em queda “com a Abolição da Escravidão, em 1888, a queda da Monarquia e a derrocada da agroexportação”, o que ocasionou numa queda da produção literária no Estado.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

DICAS DE EVENTOS CULTURAIS (15 A 21/11)

SÃO LUÍS

LIVRARIA AMEI - ASSOCIAÇÃO MARANHENSE DE ESCRITORES MARANHENSES
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RIO DE JANEIRO

LIVRARIA DA TRAVESSA 
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SÃO PAULO

LIVRARIA CULTURA
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RESENHA DE LIVRO: O MEMORIAL DO CONVENTO, DE JOSÉ SARAMAGO


A literatura portuguesa passou por diversas mudanças desde os tempos da navegação até a contemporaneidade. A forma de se contar uma história passou por um processo de desenvolvimento e de aprimoramento artístico e literário, em que se usava tanto noções de subjetividade quanto objetividade, cuja produção de conhecimento busca uma verdade absoluta dos fatos, ao contrário de uma subjetividade que está fora do processo desse tipo de escrita.

A produção da narrativa, com seus elementos narrativos, vem a desenvolver uma análise mais subjetiva de fatos. A priori, o que muitos tentam perpetrar é uma análise da relação entre fato e ficção: em que pontos esses dois elementos poderiam se cruzar? Como seria possível haver ficção dentro de fatos reais, ou seja, como ficcionar a realidade?

Saramago foi um daqueles escritores que souberam como nunca utilizar a literatura como ninguém. Por meio de uma linguagem coloquial e corriqueira, como em crônicas, o escritor soube, por exemplo, utilizar os sinais de pontuação de modo “solto, lúdico e subjetivo”. Foi de um modo diferente que Saramago conseguiu delinear com minúcia fatos aparentemente sem importância, mas que davam outro relevo para a leitura de seus romances. O romance O memorial do convento, publicado em 1982, foi um dos excelentes romances do escritor José Saramago. Provavelmente, para muitos críticos há certa dificuldade em se classificar o romance em um subgênero literário, apesar de muitos acreditarem que se trata de um romance histórico.

É nesse meio, entre romance histórico e crônicas de costumes, em que O Memorial do convento se encontra: um tipo de obra que procura tanto mostrar uma análise sobre Portugal do século XVIII e um tipo de romance que delineia o espaço social desse momento. Saramago procura tanto mostrar um pedaço da história de Portugal como discutir as relações entre os indivíduos da sociedade portuguesa através de seus personagens (cada um representando uma camada social). A priori, pode-se dizer que o romance é escrito como uma sátira religiosa de forma muito irônica, fazendo comparações no contexto da obra com a realidade de Portugal. Na Europa, a Igreja católica passava por enormes conflitos internos e externos com a Reforma e a Contrarreforma, fatores cruciais para a insatisfação de boa parte dos fiéis. No trecho a seguir, o narrador do romance afirma:

Mas não falta, por isso mesmo falecendo mais facilmente que morra por ter comido pouco durante toda a vida, ou o que dela resistiu a um triste passadio de sardinha e arroz, mais alface que deu a alcunha aos moradores, e carne quando faz anos sua majestade. Quer Deus que o rio seja pródigo de peixes, louvemo-los aos três por isso. [...] mas esta cidade, mais que todas, é uma boca que mastiga de sobejo para um lado e de escasso para outro, não havendo portanto mediano termo entre a papada pletórica e o pescoço engelhado, entre o nariz rubicundo e o outro héctico, entre a nádega dançarina e a escorrida, entre a pança repleta e a barriga agarrada às costas. Porém, a Quaresma, como o sol, quando nasce, é para todos.

Neste trecho, há certa descrição das formas de controle que havia em Portugal durante o século XVIII, formas que continuaram a existir até o século seguinte. São essas estruturas sociais que, de certa forma, vão nortear o rumo do romance, além de se destacarem as questões políticas de dominação do povo e, assim, pode-se dizer que “o livro é uma metáfora do capitalismo”. O narrador vai tratando o caso da religião como um embate entre o que seria considerado religioso – como a Inquisição, os Autos-de-fé e as Procissões – e o que seria profano – como os entrudos e as touradas. Uma crítica é um tipo de descrição do período setecentista, época em que houve muita censura por parte da Igreja Católica.

Para época, seria um tipo de situação de favores marcados fortemente por características da Igreja que era crucial para fortalecer pactos entre nações, como na seguinte passagem do romance. Este tópico é essencial para se entender a relação entre o momento histórico do século XVII em Portugal e o momento em que o livro é escrito. Relacionam-se esse poderio da inquisição com a ditadura salazarista em que houve muito esforço por parte do governo português para se reprimir a força do povo, que, assim, seria uma metáfora ligada às pessoas que construíram o Convento de Mafra a pedido do rei D. João V, algo paralelamente relacionado a população portuguesa que viveu durante a Ditadura. Saramago deixa claro essa relação quando descreve Baltasar, que “foi mandado embora do exército por já não ter serventia nele, depois de lhe cortarem a mão esquerda”.

No capítulo 23 do Memorial do convento, por exemplo, Saramago começa narrando o casamento da infanta Maria Bárbara com o príncipe D. Fernando de Castela e o casamento do príncipe de D. José com Mariana Vitória. É uma parte que fala muito da relação histórica entre Portugal e Espanha, e uma parte que Saramago discute muito para debater sobre a política e história portuguesas, principalmente na época em que se passa o enredo do romance.

Não são as combinações do pé para a mão, os casamentos estão feitos desde mil setecentos e vinte e cinco. Muita conversa para conversa, muito embaixador, muito regateio, muitas indas e vindas de plenipotenciários, discussões sobre as cláusulas dos contratos do matrimônio [...]

Em boa parte do capítulo, Saramago vai narrar essa parte histórica entre os dois países – Espanha e Portugal. Em uma dessas partes, narra-se o trabalho de João Elvas no arranjo das ruas, após a chuva torrencial, para que o carro da rainha e da princesa possa prosseguir para Montemor, e a chuva ainda prosseguiu durante a ida para Évora. Durante a viagem para Évora, a princesa afirma que desconhece o contento que se está a erguer em favor de seu nascimento, depois de ver homens presos a serem enviado para trabalhar em Mafra. Todo o capítulo envolve a viagem da princesa e do príncipe para poderem se casar. Ao longo dessa viagem acontecem diversos problemas com a chuvas e discussões sobre, por exemplo, a suspeita de que Baltasar voou com Bartolomeu de Gusmão. Somente no final do capítulo, quando se passaram oito dias após a saída de Lisboa, é que ocorre a cerimônia da troca de princesas peninsulares.

Fazer uma relação entre os povos portugueses dessas diferentes épocas seria um modo de tentar realizar uma comparação entre as temporalidades das coisas, ou seja, dos fatos históricos em Portugal ocorridos em épocas diferentes. Assim, “o fato de Baltasar ser maneta, por exemplo, apresenta-o como personificação do povo, que construiu com as próprias mãos a nação e sem nada ficou”. É uma analogia que Saramago faz ao desejo do povo português, povo que trabalhou arduamente para a construção do convento de Mafra e parece ser sempre a camada menos importante da história de Portugal.

Esse e um dos aspectos mais importantes que Saramago vem a descrever em seu romance: ao invés de escrever um romance se apegando nas camadas mais ricas e importantes da sociedade portuguesa – a corte real, por exemplo -, percebe-se uma apologia à força dos operários do convento. É perceptível, nesse caso, a forma como se tratam as camadas sociais: “[...] as estruturas de dominação são impessoais, sistémicas, técnicas, quase brancas: o Governo, a Administração, o Centro, a Cidade”, enquanto que “os heróis têm nome e identidade”. Saramago mostra a força do povo, cuja vontade é a maior na construção do povo. Percebeu-se que um dos pontos mais criticados pelo escritor foi o ponto de vista político, visando a uma ideologia que confrontasse a classe social que mais dominava e assolava os mais fracos: os poderosos políticos contra o povo, sendo este quem realmente tinha força por poder promover os mecanismos principais para o desenvolvimento da sociedade.

Trata-se de um convite a uma crítica pesada contra os grupos sociopolíticos que agia de modo áspero contra o povo:  a má administração do Governo que não cuidava de pontos importantes da sociedade; uma Igreja católica que mentia para os seus fiéis, infringindo as leis religiosas: tudo isso numa comparação entre a riqueza da coroa e do clero portugueses e a miséria do povo. É deste modo que podemos verificar como Saramago conseguiu, através de seus personagens únicos (fala-se dos heróis do Convento, o próprio povo), mostrar as divergências na sociedade portuguesa de épocas diferente.